- O CEO da XP, José Berenguer, afirma que o mercado de capitais não deve retomar de forma consistente no curto prazo, mesmo com o IPO da Compass na bolsa brasileira, e que a renda fixa está muito atrativa devido aos juros altos.
- A XP tem seguido uma postura mais cautelosa, priorizando crescimento orgânico; não vê vantagens em aquisições neste momento e mantém Basiléia em torno de vinte por cento, com meta de cerca de quinze por cento.
- Berenguer destaca o open finance e a inteligência artificial como forças de transformação no setor financeiro, com o open finance permitindo melhor avaliação de crédito e a portabilidade de crédito, além de IA ampliar a produtividade e o nível de assessoria aos clientes.
- A XP vê espaço para ampliar sua base: entre 300 mil e 400 mil empresas, e mais 20 milhões de pessoas físicas, mantendo o foco no Brasil e em clientes sofisticados, sem expansão internacional.
- O executivo aponta dificuldades macroeconômicas: juros elevados, incertezas fiscais e políticas, e observa que o investidor estrangeiro encara o Brasil como barato, mas há preocupação com eleições e ambiente fiscal, mantendo cautela sobre movimentos agressivos de expansão.
José Berenguer, CEO do Banco XP, afirmou em entrevista ao NeoFeed que o mercado de capitais brasileiro continua com a janela aberta apenas pontualmente, enquanto a renda fixa atrai investidores. O executivo considera que o cenário macro do Brasil envolve juros altos e uma bolsa com menor participação da pessoa física, freando o crescimento.
Berenguer reforçou que a XP avançou com cautela após aceleração recente, mantendo o foco no que é essencial. O banco tem capital robusto, com Basiléia próximo de 20% e busca manter posição estável para ampliar a base de clientes de forma orgânica, sem grandes aquisições.
O CEO destacou que a XP não pretende ampliar significativamente o balanço via aquisições, citando o desafio de integração de ativos. A prioridade, segundo ele, é manter qualidade de serviço para clientes sofisticados, com uma rede de 17 mil agentes autônomos e 500 escritórios independentes.
Open finance e IA
Berenguer apontou as mudanças provocadas por open finance e IA como forças disruptivas no setor financeiro. O open finance permitiria oferecer crédito e serviços com base nos dados do cliente, aumentando eficiência e personalização.
Sobre IA, ele situou a XP entre fases de adoção: pilotos e implementação de automação de processos, com potencial para sugerir oportunidades de investimento de forma mais rápida. O papel humano do assessor, porém, permanece essencial.
O executivo também comentou a eventual evolução do papel do agente autônomo, afirmando que a tecnologia reforçará o atendimento sem eliminar o contato humano. A XP enxerga ganhos de produtividade, mantendo a relação próxima ao cliente.
Cenário e perspectivas
Sobre o mercado de capitais, Berenguer afirmou que não houve retomada consistente ainda, citando renda fixa com juros reais elevados como fator dominante. A queda da taxa de juros pode demorar, diante de desafios estruturais e de cenário político.
Ele ressaltou que a renda fixa atraía pessoas físicas e reduzia o interesse pela bolsa, agravando a evasão de capitais. Em função disso, o investidor permanece conservador, mesmo com eventual melhora do ambiente macro.
Quanto aos investidores estrangeiros, o executivo disse que o Brasil continua visto como mercado com valuation atrativo, mas a atenção está voltada às eleições e à política fiscal. O otimismo depende de normalização da política monetária e de avanços estruturais.
O pedido de Berenguer é para manter a atuação com base sólida, foco no cliente e eficiência de produtos. Segundo ele, a XP já é uma das maiores instituições financeiras do Brasil e busca crescer pela base de clientes e pela oferta integrada de serviços.
Entre na conversa da comunidade