- O Índice de Justiça Econômica Racial aponta que mulheres negras tinham renda média aproximadamente metade da dos homens brancos entre 2016 e 2023; em 2016, R$ 862,98 contra R$ 1.821,55, e em 2023, R$ 1.191,66 contra R$ 2.381,43.
- O estudo mostra que mulheres negras continuam na base da desigualdade, com homens brancos no topo, seguidos por mulheres brancas e homens negros; a média nacional de justiça econômica fica acima dessas mulheres.
- Em 2023, apenas 33,3% das mulheres negras trabalhavam com carteira assinada, sendo a maioria em trabalho doméstico sem carteira.
- Desigualdades aparecem também em educação e moradia: menor acesso ao ensino superior para a população negra e 31,6% das mulheres negras dependiam de fossas não ligadas à rede de esgoto, em 2023.
- As recomendações apontam políticas públicas mais focadas em raça, gênero e território, com ênfase na permanência escolar, valorização do trabalho de cuidado, aumento de vagas com carteira, redução do trabalho informal e reconhecimento de saberes históricos.
O IJER, estudo da Fundação Grupo Volkswagen em parceria com o Fundo Agbara, mostra que mulheres negras permanecem na base da desigualdade econômica no Brasil entre 2016 e 2023. O levantamento usa dados do IBGE e do IPEA para medir renda, emprego e moradia.
Entre 2016 e 2023, a renda per capita das mulheres negras ficou em torno de metade da renda dos homens brancos. Em 2016, R$ 862,98 contra R$ 1.821,55; em 2023, R$ 1.191,66 contra R$ 2.381,43. O intervalo revela persistência da distância salarial por raça e gênero.
O estudo aponta que a estrutura de desigualdade é estável, formando uma pirâmide econômica rígida. Homens brancos lideram os indicadores de justiça econômica, seguidos por mulheres brancas, homens negros e, na base, mulheres negras, com piores resultados ao longo do período.
Desigualdade de renda não é o único aspecto. Em 2023, apenas 33,3% das mulheres negras tinham carteira assinada, o menor índice entre os grupos analisados, e ainda são maioria no trabalho doméstico. Desemprego e informalidade aparecem em níveis mais altos entre esse grupo.
Fatores centrais incluem concentração em empregos essenciais e mal remunerados, maior ocupação em setores informais e menor acesso a vagas qualificados. Mesmo com educação superior, muitas precisam conciliar estudos com empregos de baixa remuneração para ajudar a família.
Educação e moradia reforçam as disparidades. O acesso ao ensino superior continua mais restrito para a população negra, especialmente para homens negros. Em moradia, 31,6% das mulheres negras dependiam de fossas não ligadas à rede de esgoto em 2023, frente a 20,7% entre mulheres brancas.
O estudo também aponta que a melhoria econômica ocorre de forma paralela entre grupos, sem reduzir significativamente as desigualdades históricas. Priscila Soares aponta que políticas públicas ainda não consideram raça e gênero de forma integrada para promover inclusão produtiva.
Entre as recomendações, o IJER sugere políticas voltadas a raça, gênero e território, com foco na permanência estudantil, apoio financeiro, valorização do trabalho de cuidado e expansão de vagas com carteira assinada. A pesquisa defende ações específicas para reduzir a vulnerabilidade de mulheres negras.
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