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País aposta em megabaterias para reduzir desperdício de energia solar e eólica

Leilão de baterias prevê duas gigawatts iniciais, com fornecimento por até quatro horas, para reduzir cortes de renováveis e melhorar a integração de solar e eólica

Setor de energia espera leilão de baterias ainda para 2026. (Foto: Divulgação/Sungrow)
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  • O governo prepara o primeiro leilão de baterias em larga escala no Brasil, com 2 GW de potência em sistemas de armazenamento por baterias (BESS) para apoiar energia solar e eólica.
  • Os projetos devem ter potência mínima de 30 MW e oferecer energia por até quatro horas, com remuneração por disponibilidade.
  • A implantação depende da publicação da portaria pelo Ministério de Minas e Energia e de regulamentações pela Agência Nacional de Energia Elétrica; o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico pode avançar as regras na reunião de hoje.
  • O setor destaca que cerca de 20% da energia gerada por fontes renováveis é desperdiçada por limitações do sistema, e o armazenamento pode reduzir esse curtailment, além de reduzir custos de transmissão.
  • Grandes empresas já demonstram interesse, como Engie Brasil e Axia, que aguardam as diretrizes para firmar projetos de até 4 GW.

O governo federal prepara o primeiro leilão de baterias em larga escala no Brasil, uma iniciativa-chave para sustentar o avanço de solar e eólica. A ideia é contratar 2 GW de potência em BESS, que entram em operação a pedido do ONS. O certame ainda depende de portaria do MME e de discussões regulatórias na Aneel.

O modelo prevê projetos com mínimo de 30 MW e até quatro horas de fornecimento contínuo. A remuneração deve ocorrer pela disponibilidade, com as empresas mantendo as baterias prontas e assegurando a oferta de potência ao sistema.

As regras dependem de diretrizes do MME e de deliberações da Aneel. O CMSE se reúne nesta terça-feira para avançar no desenho regulatório, que inclui regras de contratação e operação dos sistemas.

A Absae alerta que há necessidade de um intervalo de cinco a seis meses entre a publicação das regras e o leilão, para viabilizar o início dos projetos ainda no primeiro semestre, com operação até 2028.

Motivo e cenário

O leilão surge em meio ao crescimento da geração solar e eólica, mas com dificuldade de absorção pelo sistema elétrico. O gargalo atual é o curtailment, cortes na produção para evitar instabilidade da rede.

Estimativas apontam que cerca de 20% da energia disponível de solar e eólica não é aproveitada ao longo do dia pela operação. O armazenamento pode reduzir esse desperdício e ampliar a confiabilidade do sistema.

Estudos indicam que baterias são cerca de 46% mais baratas que novas usinas a gás, com potencial de economia de até R$ 3 bilhões por ano em encargos para cada 2 GW. O mercado pode atrair até R$ 45 bilhões em investimentos até 2030.

Interesse do setor

Empresas do setor já demonstram disposição de participar, mesmo sem regras definidas. A Engie Brasil afirmou ter carteira de projetos para desenvolver baterias e aguarda o lançamento das diretrizes. A companhia aponta apetite e espera resoluções regulatórias nos próximos meses.

A Axia, ex-Eletrobras, também sinalizou intenção de ofertar até 4 GW, dependendo das regras. Executivos ressaltam a necessidade de estabilizar o marco regulatório para viabilizar os projetos com disciplina e geração de valor.

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