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Pecuária brasileira não precisa ficar à mercê da Europa

Carne brasileira pode superar a Europa com rastreabilidade total e desmatamento zero, exigindo integração de dados e critérios ambientais

Gado pasta ao lado de área de floresta no Acre, na Amazônia brasileira.
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  • A União Europeia abrirá 30 de dezembro de 2026 novas exigências de rastreabilidade e geolocalização para carnes brasileiras, ampliando o peso de kontrollos sanitários.
  • O Radar Verde UE 2025 aponta vulnerabilidade: 87% das unidades da Amazônia Legal avaliadas têm baixo ou muito baixo controle sobre as cadeias de fornecimento, e o controle sobre fornecedores indiretos é inexistente.
  • Os sistemas atuais no Brasil são insuficientes: SISBOV foca nos últimos 90 dias antes do abate; o CAR é autodeclarado; a GTA rastreia apenas lotes e não indivíduos; solução de rastreabilidade do Pará fica para 2030.
  • Além da Europa, a China já impõe cotas e sugere que desmatamento zero seja um critério de compras futuras, tornando necessária ação brasileira para não perder mercado.
  • Proposta central: eliminar o desmatamento da cadeia da carne, integrar GTA com CAR, aumentar transparência e colocar o Brasil na liderança ambiental contínua, com carne produzida sem desmatamento.

A notícia sobre a suspensão da venda de carnes brasileiras para a União Europeia ganhou contornos que vão além do motivo sanitário alegado. A decisão, prevista para setembro, expõe vulnerabilidades da rastreabilidade e do controle de desmatamento na cadeia produtiva.

Especialistas apontam que o mercado europeu avalia o cumprimento de regras ambientais, além do uso de antimicrobianos. A notícia muda rapidamente o cenário para exportadores e frigoríficos da Amazônia Legal, que dependem das exportações para manter volumes atuais.

Dados do Radar Verde UE 2025, elaborado pelo Imazon e pelo Instituto O Mundo Que Queremos, indicam fragilidades. Em 2025, as vendas brasileiras para a UE cresceram 130%, para US$ 1,06 bilhão, mas o controle ambiental é considerado baixo em grande parte das unidades.

Panorama de rastreabilidade e riscos

Levantamento aponta que 87% das unidades avaliadas têm baixo controle nas cadeias diretas, e 13% muito baixo. O problema aparece principalmente nos fornecedores indiretos, onde o desmatamento permanece oculto pelas auditorias atuais.

O SISBOV foca nos 90 dias anteriores ao abate, o CAR é autodeclaratório, e a GTA rastreia apenas lotes. Essas limitações dificultam provar a origem da carne e o cumprimento ambiental em toda a cadeia produtiva.

Medidas, prazos e propostas

Soluções como o sistema de rastreabilidade proposto pelo Pará ficaram para 2030. Enquanto isso, o Brasil enfrenta pressão para reduzir o desmatamento e ampliar a transparência de dados setoriais, incluindo a integração GTA-CAR.

Além da Europa, a China, principal parceira comercial, já sinaliza cotas e priorização de critérios de desmatamento zero nas compras futuras, fortalecendo a necessidade de ajustes estruturais no setor.

Caminhos para a competitividade

A partir de evidências do Radar Verde, o Brasil precisa cumprir metas de transparência total e reduzir o desmatamento nas áreas de compra de frigoríficos exportadores. Caso contrário, o risco ambiental pode inviabilizar mercados importantes.

A solução envolve integrar dados de GTA com CAR, ampliar o rastreamento de fornecedores indiretos e manter padrões sanitários compatíveis com exigências internacionais. O objetivo é manter a carne brasileira competitiva.

Perspectiva e verificação

O setor aponta para uma transformação alinhada a padrões ambientais robustos, sem abrir mão da qualidade sanitária. A meta é ampliar a regeneração florestal e eliminar práticas ilícitas de desmatamento associadas à produção bovina.

O Brasil tem potencial para liderar com carne produzida em sistemas de manejo que preservem florestas, assegurando rastreabilidade confiável e reconhecimento internacional de sustentabilidade.

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