- Petrobras negocia a um P/L de 5,6 vezes, bem menor que majors globais como ExxonMobil (25,7x), Chevron (33,4x) e Shell/TotalEnergies (cerca de 13x).
- No primeiro trimestre, Receita líquida ficou em R$ 123,7 bilhões; lucro líquido foi de R$ 32,7 bilhões, com alta de quase 110% frente ao trimestre anterior; ações PETR3/PETR4 caíram mais de 1% após o balanço.
- O fluxo de caixa livre ficou em R$ 20,1 bilhões, queda de 22,9% na comparação anual, pressionado pelo aumento de investimentos e despesas.
- A avaliação diverge: Nord Investimentos diz que múltiplos isolados não definem se está barato, destacando o desconto histórico e os fatores políticos; recomendação neutra para a estatal.
- A Genial Research aponta desempenho operacional sólido no trimestre, com perspectiva de melhoria no segundo trimestre, enquanto a Nord mantém olhar cauteloso para os próximos anos.
A Petrobras (PETR3; PETR4) teve resultado do primeiro trimestre abaixo das expectativas de parte do mercado, o que levou a queda de mais de 1% nas ações na sessão seguinte à divulgação. O movimento ocorreu mesmo com a companhia mantendo forte presença no setor de energia e oleaginosas brasileiras.
O valuation foi marcado por um P/L de 5,6 vezes, segundo dados da Bloomberg compilados pela Nord Investimentos. O indicador fica muito abaixo de suas rivais globais, como ExxonMobil (25,7x), Chevron (33,4x) e Shell/TotalEnergies próximas de 13x. Entre brasileiras, Petrobras aparece entre as mais descontadas.
Mesmo com desconto, a leitura de que a estatal estaria barata não é consenso. O analista da Nord Investimentos aponta que múltiplos isolados não definem a qualidade ou o valor de uma ação; é necessário considerar contexto, riscos e perspectivas da empresa. A comparação com majors é mais adequada, segundo ele.
> A Petrobras costuma operar com desconto relativo às majors, em parte devido à condição de estatal e às interferências governamentais ao longo do tempo. O analista ressalta que, historicamente, o desconto não explica por completo a avaliação atual.
Parte do choque de leitura decorre da queda do fluxo de caixa livre, que ficou em R$ 20,1 bilhões no trimestre, queda de 22,9% anual. O recuo é atribuído a resultados operacionais mais fracos combinados a investimentos mais elevados.
Apesar disso, outros analistas veem sinais positivos. O analista da Genial Research destaca que a receita líquida ficou em R$ 123,7 bilhões, estável, e o lucro líquido em R$ 32,7 bilhões, com alta de quase 110% ante o trimestre anterior. Segundo ele, parte dos efeitos da alta do petróleo ainda não se materializou nos números.
Para ele, o segundo trimestre pode apresentar resultados mais fortes, especialmente pelo desempenho esperado do Brent e pela precificação de cargas destinadas à Ásia. Mesmo com esse cenário, a Genial mantém a recomendação de manter a Petrobras.
A visão da Nord Investimentos sobre o longo prazo permanece cautelosa. O analista aponta que a alta recente do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas, pode beneficiar o segundo trimestre, mas as perspectivas de crescimento para os próximos cinco anos são consideradas tímidas. A recomendação permanece neutra.
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