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Piccadilly anuncia novo CEO e inicia gestão sem participação familiar

Piccadilly inaugura nova fase com Silvio Prado como presidente; Cristine Grings encerra liderança operacional e governança evolui para expansão global

Cristine Grings Nogueira, conselheira da Piccadilly Company: “Empresas familiares precisam estruturar uma governança robusta para serem longevas” (Piccadilly/Divulgação)
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  • Cristine Grings Nogueira deixa a função de CEO após dez anos e passa a atuar no conselho; Silvio Prado, ex-CEO da L’Occitane au Brésil, assume a presidência executiva.
  • Sucessão é resultado de planejamento de mais de uma década, com foco em governança robusta; a gestão passa a combinar DNA da família com visão externa de mercado.
  • Piccadilly registrou crescimento de 87% no faturamento entre 2015 e 2025 e alta de 30% no volume de pares vendidos, em contraponto à queda de cerca de dez por cento na produção da indústria calçadista brasileira.
  • Internacionalização avançou: de 64 para 85 mercados; exportações representam mais de 30% do negócio, com foco em Europa, Oriente Médio, Ásia e novos países.
  • Meta de expansão de varejo: chegar a mais de 100 lojas monomarca até o fim do ano; prevê abrir cerca de 15 novas operações em 2026; crescimento projetado em torno de 5% para o período.

Cristine Grings Nogueira deixará a liderança operacional da Piccadilly Company após uma década à frente da fabricante gaúcha de calçados. A executiva passa a integrar o conselho, abrindo espaço para a gestão ser conduzida por um executivo de mercado, pela primeira vez na história da empresa familiar.

O escolhido para substituir Cristine no posto de CEO é Silvio Prado, ex-CEO da L’Occitane au Brésil, que já ocupou cargos de presidência e, anteriormente, de CFO. A transição foi planejada ao longo de mais de dez anos, desde a passagem da segunda para a terceira geração da família fundadora.

Governança e continuidade

A mudança reforça a governança da Piccadilly, com a ideia de manter o DNA da marca enquanto se incorpora experiência externa. A família pretende preservar valores centrais e, ao mesmo tempo, trazer novas perspectivas para acelerar o crescimento e a internacionalização.

Cristine ressaltou que a adoção de um executivo de mercado não representa ruptura cultural, mas evolução do modelo de gestão. A empresa destaca que a governança robusta é fundamental para a longevidade do negócio.

Desempenho e contexto setorial

Entre 2015 e 2025, a Piccadilly aumentou o faturamento em 87% e expandiu o volume de pares vendidos em 30%. O cenário da indústria brasileira, porém, mostra queda na produção, com estimativa de retração de 10% na última década.

Parte desse crescimento deve-se à construção de uma marca global e à operação própria fortalecida, com exportações representando mais de 30% do negócio. A Piccadilly exporta para um número maior de mercados, ampliando sua presença internacional.

Expansão internacional e mercados

Em 2015 a empresa atuava em cerca de 64 países; em 2025 alcançou aproximadamente 85 mercados, com 21 países a mais no período. Países como Filipinas, Eslovênia, Líbia e Cingapura aparecem entre os novos focos, com maior atuação no Oriente Médio, Ásia e Europa.

A internacionalização é considerada parte central da estratégia, e a empresa ainda investe na expansão de lojas monomarca. De 20 lojas próprias em 2015, a Piccadilly chegou a 93 operações em 2026, com meta de mais de 100 ainda neste ano.

Operação e próximos passos

A rede de lojas próprias, franquias e licenciadas deve crescer com a abertura de cerca de 15 unidades em 2026, no Brasil e no exterior. O objetivo estratégico é estar onde as consumidoras desejam encontrar a marca, mantendo o padrão de experiência.

Para 2026, a Piccadilly prevê crescimento de cerca de 5%, em um ano descrito como de expansão conservadora. O foco atual está na melhoria da eficiência produtiva, com implementação de ERP e ajustes industriais nas fábricas do Rio Grande do Sul.

Perspectiva de longo prazo

A transição de liderança está prevista para ampliar a flexibilidade estratégica da companhia a partir de 2027, quando o novo CEO terá maior autonomia para redesenhar o plano de expansão em conjunto com o conselho. O processo é visto como evolução contínua, não ruptura.

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