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Reformas perdem força e escândalos derrubam aprovação de Milei

Inflação ainda elevada, escândalo envolvendo o chefe de gabinete e protestos estudantis pressionam Milei, marcando o pior momento de seu governo

O presidente argentino, Javier Milei: governo desaprovado por 63% da população
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  • Milei vive o seu pior momento, com inflação de 32,6% ao ano em abril, desemprego de 7,5% e atividade industrial em queda.
  • A popularidade caiu para 63% de reprovação após o escândalo de corrupção envolvendo o chefe de gabinete Manuel Adorni, investigado por enriquecimento ilícito.
  • Mais de 1 milhão de estudantes foram às ruas de Buenos Aires contra o corte de 45,6% no orçamento da educação, em meio a preocupações com salários reais.
  • A inflação teve comportamento volátil: caiu para 1,5% ao mês em maio de 2025, mas subiu por dez meses consecutivos, com 2,8% em abril.
  • O FMI projeta crescimento do PIB de 3,5% para 2026; o governo enfrenta pressões de corrupção e críticas à imprensa, enquanto setores como energia, mineração e agricultura ganham destaque.

O presidente argentino Javier Milei vive o pior momento de seu mandato, marcado por inflação elevada, protestos e um escândalo de corrupção envolvendo o chefe de gabinete. A inflação anual segue em alta, dois meses após medidas de ajuste, com repercussão na popularidade do governo. Em Buenos Aires, mais de 1 milhão de estudantes foram às ruas contra o corte de quase 46% no orçamento da educação.

A taxa de inflação chegou a 32,6% em abril, enquanto o desemprego fica em 7,5% e a atividade industrial recua. A desaprovação ao governo alcançou o nível mais baixo desde a posse. Ao mesmo tempo, o país enfrenta desafios fiscais após um início de mandato marcado por cortes de gastos e abertura econômica.

O orçamento da educação foi alvo de protestos pela redução de 45,6%, o quarto motim estudantil desde o começo do ano. Professores e o setor público sofreram quedas salariais reais nos últimos três anos, agravando tensões sociais e políticas.

Contexto econômico e protestos

O governo apresenta o tripé inflação-juros-câmbio como eixo central de sua política, defendendo o peso valorizado para frear a inflação. A moeda tem apresentado variações, com juros altos atraindo capital e sustentando o câmbio, ainda que afete a indústria local. Pequenos produtores sofrem com custos elevados e competição externa, enquanto setores como energia, mineração e agricultura ganham fôlego.

O FMI revisou a previsão de crescimento para 2026 em 3,5% após 4,4% em 2025. Analistas destacam necessidade de infraestrutura, melhoria da política monetária e maior clareza macroeconômica para mitigar dificuldades microeconômicas.

Escândalos e desdobramentos

Um escândalo envolve o chefe de gabinete Manuel Adorni, investigado por possível enriquecimento ilícito. Procuradores analisam viagens de luxo, uso de jato particular e a aquisição de um apartamento com financiamento potencialmente suspeito. Adorni nega irregularidades, mas o caso derruba a imagem do governo.

O presidente Milei respondeu criticando a imprensa, em meio a confrontos com veículos de comunicação. Em maio, houve alteração nas regras de credenciamento de imprensa na Casa Rosada, com suspensão temporária de entradas durante a disputa de narrativas sobre o caso.

Outra linha do caso envolve a relação entre Milei e a promotora de Libra, criptomoeda lançada pelo próprio governo. O advogado de Adorni também atua em defesa de um envolvido no tema Libra, e registros telefônicos indicam contatos entre Milei e empresário ligado ao token. Promotores apontam Milei como pessoa de interesse, sem provas de pagamento ou benefício.

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