- Na Copa do Mundo de 2022, a China representou 49,8% de todas as horas de visualização em plataformas digitais e redes sociais, e a Índia respondeu por 2,9% do alcance global de TV, somando 22,6% do alcance total de streaming.
- A menos de um mês do início do torneio, há risco real de blackout na China e na Índia devido à falta de acordos com emissoras locais, o que poderia impedir a transmissão para cerca de 3,3 bilhões de pessoas, ou 40% da população mundial.
- Na China, a FIFA pediu US$ 250 milhões à CCTV; a negociação, travada, passou a estimar em torno de US$ 80 milhões após quedas de US$ 120 milhões e depois US$ 80 milhões.
- Na Índia, o pacote para as Copas de 2026 e 2030 começou em cerca de US$ 100 milhões por edição, caiu para US$ 35 milhões; a oferta da plataforma JioHotstar foi de US$ 20 milhões, rejeitada, e a Sony desistiu sem apresentar proposta.
- A FIFA quer ampliar o FIFA+, serviço direto ao consumidor, mas continua dependente de acordos de licenciamento; recentemente firmou acordo com o YouTube para a Copa de 2026, destacando dúvidas sobre a viabilidade econômica de uma plataforma proprietária.
A FIFA enfrenta um impasse de licenciamento que pode gerar blackout na Ásia durante a Copa do Mundo de 2026. O atraso ocorre por exigências financeiras milionárias feitas pela entidade a emissoras da China e da Índia. O objetivo da FIFA é manter o modelo tradicional de licenciamento, mas mira ampliar a presença direta ao consumidor.
Dados históricos ajudam a entender o atrito. Na Copa de 2022, a China respondeu por 49,8% das horas assistidas globalmente em plataformas digitais e redes sociais e por 17,7% do alcance da TV linear. A Índia ficou com 2,9% do alcance de TV e, somadas, China e Índia representaram 22,6% do streaming global.
O risco de apagão se explica pela ausência de acordos com emissoras locais. Segundo especialistas, a Copa pode deixar de alcançar cerca de 3,3 bilhões de pessoas, o equivalente a 40% da população mundial, caso não haja entendimentos. Analistas citam horários desfavoráveis, pirataria e inflação de direitos como fatores estruturais.
Impasse financeiro e postura da FIFA
A disputa envolve valores bilionários. Na China, a FIFA já pediu 250 milhões de dólares à CCTV, com uma oferta atual estimada em 80 milhões após quedas de 120 milhões. Na Índia, negociações incluem pacotes para 2026 e 2030, com propostas que começaram em torno de 100 milhões por edição e recuaram.
A JioHotstar ofereceu 20 milhões e a FIFA recusou; a Sony também participou sem apresentar proposta. Enquanto isso, a FIFA projeta recordes de receita para 2026, com direitos de transmissão estimados em 3,92 bilhões de dólares, cerca de 36% da receita do ciclo 2023/2026.
FIFA+, a aposta de curto prazo e o dilema estratégico
O debate vai além dos contratos atuais. A FIFA planeja usar o FIFA+, serviço Direct-to-Consumer, para pressionar licenciados tradicionais. Em 2024, a federação buscou financiamento e anunciou acordos que reforçaram a dependência de plataformas terceiras para monetizar a audiência.
Durante o Mundial, a FIFA já firmou acordo com o YouTube para a transmissão de conteúdos relevantes da Copa de 2026. Essa parceria é encarada por especialistas como reflexo de dificuldades técnicas e financeiras da própria plataforma FIFA+. O tema leva a questionamentos sobre a viabilidade de plataformas proprietárias no longo prazo.
A partir de dados atuais, a FIFA mantém acordos para atender a 180 das 211 associações membros, segundo veículos especializados. O dilema persiste: ampliar receita via licenciamento tradicional ou apostar no caminho direto ao consumidor, com riscos e benefícios ainda incertos.
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