- A maioria das sedes da Copa nos EUA teve reservas de hotéis bem abaixo do esperado, com 65% a 70% dos hoteleiros citando barreiras de visto e preocupações geopolíticas como principal motivo.
- A logística do torneio, com intervalos entre jogos e grandes distâncias entre sedes, faz com que torcedores não permaneçam muito tempo em uma mesma cidade, reduzindo o impacto econômico local.
- Um estudo sobre a Copa de 1994 mostrou que nove das treze áreas metropolitanas analisadas tiveram crescimento do PIB abaixo do esperado, indicando efeito misto.
- A partir desse estudo, há uma probabilidade de 93,7% de impacto econômico negativo para as áreas anfitriãs de 1994, e apenas 0,8% de chance de ganho igual ou superior aos US$ 4 bilhões projetados.
- Outros trabalhos indicam efeitos variados: empregos em áreas anfitriãs podem não ter apresentado ganho significativo, com alguns estudos sugerindo impacto negativo no varejo; a FIFA projeta impacto positivo mundial, mas o benefício para os EUA é relativamente pequeno.
A avaliação sobre os impactos econômicos de sediar a Copa do Mundo nos EUA é menos direta do que aparenta. Dados recentes indicam queda na ocupação hoteleira nas cidades-sede e logísticas que dispersam visitantes, limitando o efeito financeiro local.
A pesquisa da Associação Americana de Hotéis e Hospedagem aponta que entre 65% e 70% dos hoteleiros citam barreiras de visto e preocupações geopolíticas como principais entraves para reservas maiores. Questões que se intensificaram desde a gestão da imigração.
Além disso, a crise energética e tensões regionais afetaram o interesse de viajantes, contribuindo para menor movimento turístico internacional. Políticas de preços de ingressos da FIFA também são citadas como fator de afastamento de torcedores.
Esses elementos ajudam a explicar a percepção de retorno econômico menor do que o esperado. A experiência de 1994, quando os EUA sediaram a Copa, também é citada como referência para entender o cenário atual.
A análise histórica mais citada, de Baade e Matheson, avaliou o efeito da Copa de 1994 em 13 áreas metropolitanas próximas aos estádios. Em 9 delas, o crescimento real do PIB ficou abaixo do previsto.
Segundo o estudo, houve margens de variação entre as áreas, com alguns locais apresentando desempenho superior ao esperado, mas a maioria ficou aquém. A probabilidade estimada de impacto econômico negativo foi de 93,7%.
Entre as áreas com maior decréscimo de crescimento, Orlando, Nova York, Los Angeles e a Baía de San Francisco aparecem como destinos de alto fluxo de visitantes. O fenômeno sugere que quedas em turismo de negócios podem afetar economias locais mais relevantes.
Outros trabalhos sobre 1994 – também de Baade, Matheson e Engelhardt – não encontraram efeito expressivo no emprego nas áreas anfitriãs, mas apontaram queda estatisticamente significativa no varejo. Estudos de 2018 consolidaram a visão de efeito pequeno ou negativo.
Ao ampliar a comparação histórica, Matheson aponta que não há expectativa de ganho econômico relevante para 2026 semelhante ao projetado pelo Comitê Organizador. A literatura recomenda cautela ao projetar benefícios de grandes eventos.
A Copa do Mundo feminina, mais recente, apresenta menos dados. Análises de 2013 indicaram impactos nacionais neutros, enquanto o torneio de 2015 no Canadá mostrou atrair turistas para atravessar fronteiras. Jogos Olímpicos costumam gerar efeitos de emprego, mas com altos custos.
A diferença entre eventos ajuda a explicar o cenário: custos variam bastante, infraestrutura já disponível em alguns casos, e financiamentos pré-evento influenciam resultados. Em 2022, o Catar realizou obras significativas, contrastando com a experiência dos EUA em 1994 e 2026.
A Prefeitura de estudos pré-evento e avaliações de impacto costumam prever ganhos, mas muitos deles são financiados por organizadores ou empresas locais, o que pode distorcer as projeções. Diante disso, a avaliação atual sugere ganhos mais modestos.
A Análise de Impacto Socioeconômico da FIFA, divulgada no ano passado, aponta impacto positivo global de US$ 40,9 bilhões e US$ 17,2 bilhões para os EUA. Mesmo que esses números se confirmem, representam parcela pequena do PIB trimestral.
Para a visão prática, o público pode considerar que a Copa, pela logística e distribuição geográfica, tende a oferecer benefício econômico moderado às cidades-sede. O evento tende a manter estádios lotados, sem, porém, garantir retorno financeiro amplo.
Ao fim, a razão de sediar a Copa pode residir na valorização esportiva e no estímulo cultural, sem depender de retorno econômico direto significativo. O texto apresenta a perspectiva de que o benefício econômico total não é assegurado em grandes eventos.
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