- Senado aprovou por 54 a 45 a nomeação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve por quatro anos, consolidando a troca de comando do banco central.
- O mandato de Jerome Powell termina nesta sexta-feira, 15, e Warsh deve presidir já a próxima reunião do comitê que define a política de juros, marcada para junho.
- Na sabatina, Warsh disse que a independência da política monetária é essencial, mas evitou criticar as pressões públicas de Donald Trump por cortes de juros.
- A confirmação ocorreu após aprovação no Conselho do Fed para um mandato de 14 anos; o Senado acelerou o processo para a transição antes do fim do mandato de Powell.
- Críticas de ex-dirigentes sobre a independência. O mercado ficou mais hawkish e o Bank of America afirmou que Warsh não apresentou argumentos fortes para cortes de curto prazo.
O Senado dos Estados Unidos aprovou a nomeação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve (Fed) por quatro anos. A confirmação ocorre em meio a debates sobre a autonomia do banco central frente a pressões da Casa Branca para baixar os juros. Powell se aproxima do fim de seu mandato.
Warsh foi confirmado por 54 votos a favor e 45 contrários. O mandato dele começa já e deve influenciar a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para junho. Powell encerra seu mandato nesta sexta-feira.
O avanço ocorre após o Senado ter aprovado, na véspera, a entrada de Warsh no Conselho do Fed para um mandato de 14 anos. A confirmação do conjunto do pacote de indicações agilizou a transição de comando.
O que muda no Fed
Indicado pelo presidente Trump em janeiro, Warsh defende independência da política monetária, mas não criticou publicamente as pressões de Trump por cortes de juros durante a sabatina. Comentários de autoridades eleitas não devem, segundo ele, representar ameaça à independência operacional.
A sabatina suscitou críticas de ex-dirigentes da instituição. Ex-presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, questionou a autonomia de Warsh frente ao governo. Analistas divergem sobre o peso real dessas declarações.
O mercado avaliou o depoimento como hawkish em certos momentos, com sinais de cautela quanto a cortes de curto prazo. Bank of America destacou a necessidade de coordenação com o Tesouro para mudanças significativas na política monetária.
Warsh tem também defendido reduzir o tamanho do balanço do Fed, hoje acima de US$ 6 trilhões, e abandonar a concentração em títulos longos. Especialistas apontam que mudanças profundas dependem do apoio do Fomc e do Tesouro.
Panorama institucional
No Conselho do Fed, Warsh ocupa a vaga anteriormente de Stephen Miran, indicado por Trump, cuja gestão terminou em janeiro. Miran era visto como mais dovish, defendendo apoio monetário e, às vezes, apontando para riscos de inflação.
Powell reconheceu, ao final de abril, que Warsh tem capacidade de construir consenso dentro do Fed. O antecedente sugere continuidade institucional na condução da política monetária, apesar de a autonomia permanecer em debate. Powell continuará como diretor do Fed após deixar a presidência.
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