- SoftBank vê potencial do Brasil em IA, mas ressalta necessidade de uma política clara para atrair investimentos em tecnologia.
- O grupo já investiu na América Latina desde 2019, com US$ 8 bilhões alocados e mais de sessenta e sete empresas no portfólio.
- Szapiro diz que o Brasil tem posição geopolítica favorável e pode avançar em IA em áreas como logística, sistema tributário e meios de pagamento, citando o Pix.
- Vieira alerta que o país pode ficar para trás sem uma política estruturada; grande parte de investimentos globais em IA envolve infraestrutura e capital externo.
- Estados Unidos e China seguem na dianteira; a velocidade da transformação tecnológica reduz a janela de reação do Brasil.
O SoftBank vê potencial no Brasil para IA, mas aponta risco de atraso na corrida global. Em Nova York, durante a Brazilian Week 2026, executivos da empresa disseram que o país tem mercado, dados e criatividade para avançar, desde que haja uma política clara para atrair investimentos em tecnologia.
Alexandre Szapiro, CEO do SoftBank, destacou que a América Latina recebe investimentos da empresa desde 2019, com cerca de 8 bilhões de dólares alocados na região e mais de 67 empresas em seu portfólio. Segundo Szapiro, o papel do venture capital é investir e facilitar o retorno do capital ao longo de ciclos de três, cinco ou dez anos.
Eduardo Vieira, sócio do SoftBank, ressaltou que o Brasil tem posição geopolítica favorável e visão de longo prazo para a IA, mas depende de política pública estável. Vieira afirmou que grande parte dos investimentos globais em IA está voltada para infraestrutura, como data centers, chips e energia, áreas onde o Brasil ainda disputa espaço.
Potencial brasileiro e desafios estruturais
Szapiro apontou que o Brasil pode usar grandes bases de dados corporativos como vantagem competitiva, ainda que o país não esteja na linha de frente de investimentos em infraestrutura pesada de IA. A expectativa é que a IA avance na camada de aplicações e gere ganhos de produtividade em setores com deficiências estruturais, como logística, sistema tributário e meios de pagamento.
O executivo ressaltou também que a IA pode reduzir diferenças de qualificação entre profissionais de diferentes países, desde que seja bem aplicada. Dados sobre formação técnica no Brasil indicam limitações quando comparadas aos Estados Unidos e à China, conforme análise apresentada.
Riscos de atraso sem política clara
Vieira sinalizou o risco de o Brasil perder oportunidades por falta de uma política estruturada de IA. Segundo ele, a maior parte dos investimentos globais em IA permanece em infraestrutura, e o país ainda não atraiu capital estrangeiro na velocidade de outras nações, apesar de possuir matriz energética limpa e tecnologia local.
A ausência de regras, incentivos e um ambiente regulatório estável é apontada como entrave à competição na nova fase tecnológica, conforme o sócio do SoftBank. Ele enfatizou que o Brasil precisa de um projeto claro para acompanhar a evolução de plataformas como ChatGPT e Claude.
Cenário global
Vieira destacou que Estados Unidos e China ocupam posição de liderança tanto em investimentos quanto em aplicações de IA, com grandes empresas americanas anunciando investimentos em infraestrutura de IA em escala superior ao visto no Brasil. O executivo afirmou que resta tempo, mas o prazo é curto para reagir.
O avanço global da IA é visto como uma transformação maior que a da internet, segundo a avaliação de Vieira. O ritmo acelerado sugere que mudanças rápidas no ambiente de negócios podem impactar startups e modelos de negócio nacionais.
Conclusões da participação na Brazilian Week 2026
As entrevistas, feitas durante a cobertura da Brazilian Week 2026, ressaltam ativos brasileiros como mercado consumidor, criatividade e dados, além de matriz energética. Ainda assim, o consenso é de que o país necessita de política econômica estável e ambiente regulatório para atrair capital.
O debate confirma que a IA no Brasil deixou de ser pauta exclusiva de tecnologia e passou a tema central para produtividade, investimento, indústria e crescimento econômico. A necessidade de ações coordenadas entre setor público e iniciativa privada é enfatizada pelos executivos.
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