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Stablecoins são a nova infraestrutura financeira global, dizem Tether e Anchorage

Stablecoins evoluem para infraestrutura de pagamentos global, impulsionadas pela regulação nos EUA e pela demanda de bancos e grandes empresas

DAC 2026 em Nova York
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  • Painel na Digital Assets Conference em Nova York discutiu stablecoins como infraestrutura global de pagamentos, remessas e serviços financeiros, não apenas como ativos cripto.
  • Dados apresentados: valor de mercado subiu de cerca de US$ 130 bilhões em 2024 para US$ 320 bilhões em 2026; as transações com stablecoins somaram US$ 33 trilhões em 2025, volume superior ao de Visa e Mastercard juntos.
  • Brasil é o principal mercado da América Latina em volume, com uso predominante em pagamentos e transferências internacionais; cada país adota as stablecoins conforme suas necessidades locais.
  • Regulação é vista como fator determinante, com Lei Genius e Lei Clarity nos EUA devendo definir critérios para integração com o sistema financeiro; educação e interoperabilidade também são apontadas como chave.
  • Anchorage atua como habilitadora institucional regulada, com diálogos com grandes empresas de pagamento; a adoção depende de uma experiência simples para usuários e empresas, visando uma infraestrutura de pagamentos mais rápida e barata.

As stablecoins deixaram de ser apenas ativos do mercado cripto para ganhar relevância como infraestrutura de pagamentos, remessas e operações financeiras digitais. A leitura foi compartilhada por executivos durante a Digital Assets Conference em Nova York, na terça-feira (12).

O painel, conduzido por Thiago Fagundes, reuniu Andres Kim, da Tether, e Emanuele Rossi, da Anchorage. Rossi descreveu as stablecoins como uma forma moderna de dinheiro para a era da internet, com potencial para transformar o sistema financeiro. A Anchorage, por sua vez, atua como facilitadora institucional, conectando bancos regulados a gestores, fintechs e empresas de pagamento.

Os dois destacaram que a evolução não é automática, mas aponta para maior integração com pagamentos internacionais, remessas, tokenização e serviços digitais. Dados apresentados mostraram o crescimento do mercado: o valor de stablecoins passou de cerca de 130 bilhões de dólares no início de 2024 para aproximadamente 320 bilhões em 2026, com 33 trilhões de dólares movimentados em 2025, volume superior ao de Visa e Mastercard somados.

Kim ressaltou a diversidade de usos por região. No Brasil, o mercado lidera na América Latina, especialmente em pagamentos e remessas internacionais, com o cross-border entre as principais alavancas. Na Argentina, a prioridade é reserva de valor, na relação com a remessa, e no México, o impulso vem das remessas. Na Venezuela, a proteção de valor e a arbitragem aparecem, enquanto na Colômbia a arbitragem figura entre os casos de uso.

A discussão reforçou que stablecoins não são apenas dólares digitais para negociação entre criptoativos. Em mercados emergentes, funcionam como alternativa para preservar valor, reduzir fricções cambiais e conectar economias locais a fluxos globais.

Para Rossi, os três usos centrais são negociação de ativos digitais, remessas e pagamentos internacionais, além de dolarização em ambientes com alta inflação. A Anchorage atua como parceira institucional, dialogando com grandes companhias de pagamento interessadas em contas em dólar digital, incluindo potenciais projetos com a Western Union.

A regulação foi apresentada como fator decisivo para a próxima fase. Nos EUA, leis propostas como Genius e Clarity devem definir padrões para a qualificação de stablecoins, abrindo espaço para maior participação de bancos, fintechs e grandes empresas. Rossi afirmou que a clareza regulatória tem impulsionado o interesse institucional pelo tema.

Kim concordou quanto à importância da regulação, mas pontuou que educação e interoperabilidade também são cruciais. Segundo ele, a adoção prática depende de facilidades de uso, evitando interfaces complexas. Ele sugeriu que as stablecoins podem se tornar uma infraestrutura financeira invisível para o usuário final.

Ao falar sobre o futuro, Kim argumentou que a adoção em massa depende de uma experiência simples e de que bancos, fintechs e empresas de pagamento comecem a explorar aplicações reais. Rossi apontou que bancos tradicionais já estudam a entrada nesse espaço, citando o JPMorgan como exemplo de instituição com operações avançadas em ativos digitais.

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