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Taxa das blusinhas rende R$ 8,2 bilhões ao governo em dois anos

Governo encerra a cobrança de 20% sobre compras até US$ 50, após arrecadar R$ 8,2 bilhões em dois anos; em 2026, foram R$ 1,8 bilhão até abril

Imagem colorida mostra contêineres em um dia ensolarado; balança comercial
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  • A chamada taxa das blusinhas rendeu R$ 8,2 bilhões ao governo federal em dois anos, entre agosto de 2024 e maio de 2026, quando foi derrubada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
  • O imposto incidia sobre compras internacionais até US$ 50 com alíquota de 20%, itens acima desse valor tinham 60%, e havia desconto de US$ 20 para itens entre US$ 50,01 e US$ 3 mil.
  • No regime Remessa Conforme, sites de comércio passaram a cobrar tributos antecipadamente; até US$ 50 eram isentos do Imposto de Importação, cuja alíquota é de 60%.
  • A arrecadação total por períodos aponta: agosto a dezembro de 2024 foi de R$ 1,679 bilhão; em 2025 somou R$ 4,719 bilhões; de janeiro a abril de 2026 atingiu R$ 1,856 bilhão.
  • A medida jetou desgaste político ao governo; pesquisas da AtlasIntel indicam que 62% dos brasileiros veem a taxa como erro, enquanto 30% consideram acerto, e o debate sobre a retirada ocorreu junto com a defesa do Remessa Conforme.

A cobrança conhecida como “taxa das blusinhas” arrecadou 8,2 bilhões de reais para o governo federal em dois anos, com base no imposto sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, instituída em agosto de 2024, foi derrubada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de terça-feira, 13 de maio de 2026. Segundo a Receita Federal, apenas nos quatro primeiros meses de 2026 o tributo trouxe 1,8 bilhão de reais aos cofres públicos.

Entre agosto e dezembro de 2024, a arrecadação com o imposto de importação somou 1,679 bilhão de reais. Em 2025, o total chegou a 4,719 bilhões. De janeiro a abril de 2026, o recolhimento ficou em 1,856 bilhão. O imposto já existia, mas a taxa de 20% para compras até US$ 50 foi criada em agosto de 2024; itens acima desse valor tinham 60% de alíquota, com desconto de 20 dólares para produtos entre US$ 50,01 e US$ 3 mil.

A adoção da cobrança elevou significativamente a arrecadação do tributo. Em janeiro de 2024, o imposto sobre compras internacionais recolhia 170,75 mil reais. Um ano depois, com a taxa em vigor, o valor subiu para 362,23 mil reais, alta de 112,2%. O pico mensal ocorreu em fevereiro de 2026, com 567,12 mil reais.

Remessa Conforme

A taxa foi implementada como continuidade do programa Remessa Conforme, criado em agosto de 2023. Pela regra, sites de comércio passaram a cobrar tributos de forma antecipada. Em contrapartida, compras de até US$ 50 ficavam isentas do Imposto de Importação, cuja alíquota é de 60%.

Política e impactos

A cobrança gerou desgaste político para o governo de Lula, especialmente durante o início da campanha de reeleição. A retirada do tributo foi anunciada em meio a movimentos de avaliação pública e interna.

Levantamento da AtlasIntel indicou que 62% dos brasileiros consideraram a taxa um erro do governo, enquanto 30% avaliaram como acerto, o que ampliou a pressão para reavaliação da política.

Em março, a então ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que o impacto fiscal da retirada seria limitado e que o debate tinha caráter político. Em 6 de maio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que o tema estava sendo discutido, mantendo o Remessa Conforme como condição não aberta a abrir mão. Durigan enfatizou a necessidade de debate racional e de preservar avanços, incluindo o Remessa Conforme.

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