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Varejo classifica fim da taxa das blusinhas como retrocesso

Fim da taxa de importação para remessas até US$ 50 provoca reação do varejo e da indústria, elevando o risco de desemprego e ampliando vantagem de players estrangeiros

Entidades afirmam que decisão de Lula pode levar a uma onda de desemprego na indústria e varejo nacional. (Foto: Bigstock)
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  • O governo zerou o imposto federal de importação para remessas internacionais de até US$ 50, medida publicada nesta quarta-feira (13).
  • A MP é criticada por indústria e varejo, que a veem como retrocesso e alertam para desemprego, perdas bilionárias e maior vantagem para plataformas estrangeiras.
  • A bancada empresarial afirma que a taxa anterior ajudava a evitar entrada de cerca de R$ 4,5 bilhões em produtos importados e protegia mais de 135 mil empregos.
  • Entidades do setor defendem manter condições tributárias iguais entre nacionais e estrangeiros e pedem debate nacional; especialistas alertam que 80% das peças vendidas no Brasil custam menos de US$ 50.
  • Governo aponta regularização do setor, incluindo combate ao contrabando, enquanto dados oficiais indicam arrecadação de cerca de R$ 179,3 milhões mensais com a antiga cobrança e prejuízos para os Correios.

A Presidência da República zerou o imposto federal de importação para remessas internacionais de até US$ 50, medida publicada nesta quarta-feira. A mudança afeta compras feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. O objetivo oficial é ajustar regras de comércio, segundo o governo.

A decisão ocorreu após a criação da taxa de 20% sobre remessas de pequeno valor, implementada em 2024 dentro do programa Remessa Conforme. O governo afirma que a tributação visava equilibrar a competição entre varejistas estrangeiras e empresas nacionais.

Reações do setor

A Confederação Nacional da Indústria classifica o fim da taxa como retrocesso e aponta risco a empregos. Ricardo Alban destacou que a medida pode favorecer importação de produtos baratos de fora do país. A CNI também afirma que a medida não é contrária às importações, apenas busca igualdade tributária.

A CNC defende a manutenção da cobrança para manter equilíbrio no comércio eletrônico internacional. A ABVTEX alerta sobre risco a 18 milhões de empregos na indústria e no varejo, dizendo que micros e pequenas empresas seriam penalizadas.

O IDV sustenta que a mudança amplia distorção entre produtos nacionais e importados e pode frear ganhos de produtividade. Dados oficiais indicam que a cobrança já arrecadou cerca de R$ 179,3 milhões por mês, durante o período em vigor.

Desdobramentos setoriais

Correios registraram prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão no primeiro ano da cobrança, com queda na participação de encomendas internacionais. Em 2025, o grupo divulgou novo prejuízo récord de R$ 8,5 bilhões, segundo balanço publicado recentemente.

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