- Antonio Marcio Buainain, professor da Unicamp, afirmou que o agronegócio precisa assumir radicalmente a agenda da sustentabilidade, incluindo o combate ao desmatamento com seriedade, para melhorar a imagem do setor no exterior.
- A fala ocorreu durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), evento realizado em São Paulo com mais de dois mil palestrantes, até sexta-feira, 15.
- Buainain disse que sustentabilidade passou a ser um condicionante de competitividade e que o agronegócio deve enfrentar tanto o desmatamento ilegal quanto o legal.
- O pesquisador destacou a importância de considerar as populações originárias e pediu uma mudança de cultura para incluir vozes indígenas e tratar a questão de forma responsável.
- Ele criticou a lógica de que ganhos de produtividade eliminariam a necessidade de expansão territorial e reforçou que o setor precisa equilibrar produtividade, inclusão social e responsabilidade ambiental para melhorar a narrativa brasileira.
O professor Antonio Marcio Buainain, da Unicamp, pediu que o agronegócio assuma radicalmente a agenda da sustentabilidade para melhorar a imagem do setor no exterior. A fala ocorreu durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), em evento público nesta quinta-feira, 14. A iniciativa visa combater a percepção de vilão do agro.
Durante a palestra, Buainain ressaltou que a sustentabilidade passou a ser um condicionante de competitividade. Ele defende enfrentar o desmatamento com seriedade e ampliar a atenção às populações originárias, associando responsabilidade ambiental a inclusão social e proteção de territórios indígenas.
O pesquisador também destacou a necessidade de mudança cultural no setor. Segundo ele, há líderes centrados na expansão, mesmo com ganhos de produtividade, o que dificulta a comunicação de uma narrativa equilibrada entre produção, meio ambiente e sociedade.
Agro: herói ou vilão? O Brasil que o Mundo não Entende
No painel, especialistas discutiram a heterogeneidade do agronegócio brasileiro, que pode ser visto como vilão ou herói conforme o contexto. Marcello Brito, da Fundação Dom Cabral, observou que o Brasil sustenta produção capaz de abastecer a população de forma acessível, mas o desmatamento e a grilagem na Amazônia pesam contra a imagem do setor.
João Adrien, diretor de ESG do Itaú BBA, afirmou que o agro se adapta a tendências de mercado e que a agenda ESG abre oportunidades. Ele apontou que políticas ligadas à sustentabilidade podem influenciar custos e demandar ajustes na produção.
Segundo Brito, pesquisas sobre percepção externa mostraram pouca menção ao agro no passado e frequentes críticas ao desmatamento. Ele lembrou que a preservação da Amazônia, bem feita, valida a imagem do setor no cenário internacional.
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