- O Banco do Brasil fechou o primeiro trimestre de 2026 com ROE de 7,3%, a rentabilidade mais baixa em uma década, acima apenas do 6,5% de 2016.
- A instituição revisou as perspectivas, projetando ROE entre nove e 11% ao fim de 2026, ainda abaixo dos dois dígitos históricos, com melhora gradual a partir do segundo semestre.
- O BB pretende crescer em crédito de pessoa física via consignado e produtos para alta renda, buscando ganho de spread, enquanto o agronegócio continua pressionando o custo de crédito.
- O saldo de provisões aumentou devido à inadimplência no segmento rural e à contaminação dos portfólios de produtores que tinham outros produtos no banco; inadimplência de pessoa física chegou a 6,82% em março.
- A nova orientação de desempenho para 2026 aponta lucro líquido ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões e custo de crédito entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões, com a normalização esperada a partir do terceiro trimestre.
O Banco do Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com ROE de 7,3%, a mais baixa em uma década, superando apenas o 6,5% registrado no 2º trimestre de 2016. A rentabilidade ficou pressionada pela performance do agronegócio e pelo aumento de provisões. O banco avalia caminhos para recuperar margem.
O CFO Geovanne Tobias afirmou que o guidance para 2026 foi montado em um cenário diferente do atual, o que levou a revisão das metas. O plano é retornar a patamares de rentabilidade mais elevados conforme o portfólio se reequilibra. A melhora é esperada a partir do segundo semestre.
O BB já projeta ROE entre 9% e 11% ao final de 2026, ainda abaixo dos níveis pré-crise, mas em trajetória de recuperação. A queda do desempenho ocorreu com a pressão do agro sobre o custo de crédito, que subiu 85,8% versus o mesmo período de 2025, a R$ 18,9 bilhões no trimestre.
Em que áreas o BB pretende crescer
O crescimento de pessoa física foca em dois pilares. O primeiro é o crédito consignado, onde o BB detém quase 25% do mercado público e mira 20% do privado. O segundo envolve cartões e produtos para alta renda, menos sensíveis ao ciclo econômico.
A evoluência do crédito consignado privado para trabalhadores com carteira assinada mostra o potencial de expansão. O BB passou de 100 mil clientes atendidos no começo de 2025 para 1,2 milhão neste ano, com R$ 18 bilhões desembolsados.
Tobias destacou que o banco não pretende repetir o modelo de crescimento acelerado do pós-pandemia. A estratégia evita o crescimento em “mar aberto” e foca em clientes não-correntistas, com cautela para não repetir falhas do passado.
Ainda no âmbito da pessoa física, o BB enfrenta o desafio da contaminação de portfólios pelo agronegócio. Clientes com outras operações passaram a atrasar pagamentos em linhas como cartão e crédito pessoal quando o fluxo de caixa ficou apertado.
Para conter o risco, o BB reforçou provisões no segmento rural antes que atrasos evoluíssem para inadimplência acima de 90 dias. A inadimplência de pessoas físicas encerrou março em 6,82%, ante 5,10% há um ano.
A previsão é de que o segundo trimestre tenha maior pressão nesse público, especialmente em cartão de crédito e crédito pessoal. A partir do terceiro trimestre, a normalização é esperada de forma gradual, com aceleração possível conforme o programa Desenrola do Governo Federal.
Nova revisão de guidance
O banco revisou o lucro líquido ajustado para 2026 para entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, abaixo do piso da faixa anterior (R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões). O teto da nova faixa iguala o piso do patamar anterior.
O custo de crédito também subiu, passando a prever entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões, frente a uma estimativa anterior de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões. A revisão contempla o desafio de pontualização no setor agro e mudanças macroeconômicas decorrentes de conflitos no Oriente Médio.
A direção do BB aponta que o agronegócio continuará representando pressão durante os próximos meses, já que parte dos vencimentos de 2026 pertence a operações originadas antes das novas medidas de recuperação de crédito, adotadas a partir de julho de 2025.
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