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Brasil perde ritmo na transição energética, diz executiva do setor eólico

Executiva da Abeeólica aponta desaceleração da eólica no Brasil, queda de investimentos e curtailment, e necessidade de planejamento para usinas offshore

O segundo dia do São Paulo Innovation Week (SPIW) teve painel sobre a energia eólica em terra e mar e a eletrificação da economia com Roberta Cox, Elbia Gannoum e Jean Paul Prates. Foto: Felipe Rau /Estadão
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  • Elbia Gannoum, CEO da Associação Brasileira de Energia Eólica, afirmou que o Brasil está perdendo o jogo da transição energética e precisa reverter esse cenário.
  • No SP São Paulo Innovation Week, ela destacou que o setor eólico brasileiro vem desacelerando desde 2024, com queda na instalação de usinas de 4 GW por ano para 3,3 GW em 2024 e 2,3 GW em 2025.
  • A executiva aponta como causas a menor demanda por novos projetos, economia mais fraca e políticas públicas mal calibradas que favoreceram a instalação de painéis solares em residências, gerando curtailment (desligamento de usinas para equilibrar o sistema).
  • Há sinais de retomada da demanda a partir de 2027, motivada pela expansão de datacenters e pela eletrificação da economia; projetos offshore seriam fundamentais para atender esse crescimento.
  • A especialista Roberta Cox, do Global Wind Energy Council, ressaltou a necessidade de um decreto regulador para offshore e destacou que, se começarem agora, usinas em alto mar poderiam entrar em operação daqui a dez anos.

O Brasil está ficando para trás na transição energética, segundo Elbia Gannoum, CEO da associação que reúne a indústria eólica. Em palestra no São Paulo Innovation Week nesta quinta (14), ela afirmou que o time brasileiro perde o jogo e precisa reverter a tendência.

Gannoum destacou que a desaceleração envolve o setor eólico, cuja instalação de usinas caiu de 4 GW em 2023 para 3,3 GW em 2024 e 2,3 GW no ano anterior. Ela atribui a queda a menor demanda por novos projetos e a falhas na calibragem de políticas públicas.

A executiva argumentou ainda que a menor geração vem da competição com a expansão de painéis solares residenciais, que elevou a capacidade de geração existente e criou excesso na rede. O resultado é o curtailment, quando usinas precisam ser desligadas para manter o equilíbrio do sistema.

Painel Energia Eólica em Terra e Mar

No debate, mediado pelo ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, Gannoum reforçou a necessidade de planejamento para projetos offshore. Ela afirmou que o Brasil pode precisar de usinas em alto mar para acompanhar a demanda futura.

Roberta Cox, diretora de política do Global Wind Energy Council para o Brasil, lembrou que as offshore levariam cerca de uma década para entrar em operação, mesmo com início imediato. Ela apontou a necessidade de um decreto regulador para o setor, além da lei já aprovada no ano passado.

A executiva ressaltou sinais de retomada da demanda a partir de 2027, decorrentes da instalação de datacenters e da eletrificação da economia. Segundo ela, isso pode tornar as usinas offshore estratégicas para atender o crescimento da procura por energia.

Cox destacou o potencial do Brasil, com alta disponibilidade de energia limpa para atrair datacenters. Ela enfatizou que, se os projetos offshore começarem agora, o país pode se tornar uma das maiores economias em termos de energia disponível dentro de décadas.

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