- Elbia Gannoum, CEO da Associação Brasileira de Energia Eólica, afirmou que o Brasil está perdendo o jogo da transição energética e precisa reverter esse cenário.
- No SP São Paulo Innovation Week, ela destacou que o setor eólico brasileiro vem desacelerando desde 2024, com queda na instalação de usinas de 4 GW por ano para 3,3 GW em 2024 e 2,3 GW em 2025.
- A executiva aponta como causas a menor demanda por novos projetos, economia mais fraca e políticas públicas mal calibradas que favoreceram a instalação de painéis solares em residências, gerando curtailment (desligamento de usinas para equilibrar o sistema).
- Há sinais de retomada da demanda a partir de 2027, motivada pela expansão de datacenters e pela eletrificação da economia; projetos offshore seriam fundamentais para atender esse crescimento.
- A especialista Roberta Cox, do Global Wind Energy Council, ressaltou a necessidade de um decreto regulador para offshore e destacou que, se começarem agora, usinas em alto mar poderiam entrar em operação daqui a dez anos.
O Brasil está ficando para trás na transição energética, segundo Elbia Gannoum, CEO da associação que reúne a indústria eólica. Em palestra no São Paulo Innovation Week nesta quinta (14), ela afirmou que o time brasileiro perde o jogo e precisa reverter a tendência.
Gannoum destacou que a desaceleração envolve o setor eólico, cuja instalação de usinas caiu de 4 GW em 2023 para 3,3 GW em 2024 e 2,3 GW no ano anterior. Ela atribui a queda a menor demanda por novos projetos e a falhas na calibragem de políticas públicas.
A executiva argumentou ainda que a menor geração vem da competição com a expansão de painéis solares residenciais, que elevou a capacidade de geração existente e criou excesso na rede. O resultado é o curtailment, quando usinas precisam ser desligadas para manter o equilíbrio do sistema.
Painel Energia Eólica em Terra e Mar
No debate, mediado pelo ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, Gannoum reforçou a necessidade de planejamento para projetos offshore. Ela afirmou que o Brasil pode precisar de usinas em alto mar para acompanhar a demanda futura.
Roberta Cox, diretora de política do Global Wind Energy Council para o Brasil, lembrou que as offshore levariam cerca de uma década para entrar em operação, mesmo com início imediato. Ela apontou a necessidade de um decreto regulador para o setor, além da lei já aprovada no ano passado.
A executiva ressaltou sinais de retomada da demanda a partir de 2027, decorrentes da instalação de datacenters e da eletrificação da economia. Segundo ela, isso pode tornar as usinas offshore estratégicas para atender o crescimento da procura por energia.
Cox destacou o potencial do Brasil, com alta disponibilidade de energia limpa para atrair datacenters. Ela enfatizou que, se os projetos offshore começarem agora, o país pode se tornar uma das maiores economias em termos de energia disponível dentro de décadas.
Entre na conversa da comunidade