- CACR11 contratou, em oito de abril, um auditor independente para revisar a metodologia de precificação da carteira e viabilizar a reemissão das demonstrações financeiras de 2025.
- A comunicação ao mercado ocorreu apenas na segunda-feira, 11 de maio, em resposta a questionamentos da CVM sobre a abstenção de opinião nas demonstrações de 2025.
- A BRL Trust afirma que, após assumir a administração em dezembro de 2025, revisou critérios de marcação a mercado de CRIs ligados aos empreendimentos Itaparica, Real Park, Savoie e Santo André.
- Os CRIs citados somavam, segundo o relatório, mais de R$ 380 milhões, equivalente a 83% do patrimônio líquido do CACR11 na época (R$ 459 milhões).
- O fundo passou por queda acentuada após suspensão de dividendos em 30 de abril, e a CVM pediu esclarecimentos sobre a abstenção de opinião; a administradora apresentou um plano para regularizar as demonstrações e reemití-las sem abstenção.
O fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) informou ao mercado que contratou um auditor independente para revisar a metodologia de precificação da carteira e viabilizar a reemissão das demonstrações de 2025. A contratação ocorreu em 8 de abril, mas foi comunicada ao mercado apenas em 11 de maio.
A BRL Trust, administradora fiduciária do CACR11, respondeu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a questionamentos sobre a abstenção de opinião nas demonstrações de 2025. O cronograma anexado aponta o dia 8 de abril para a contratação, e a divulgação ao mercado ocorreu mais de um mês depois.
A divulgação anterior, em 31 de março, destacou as demonstrações com abstenção de opinião da RSM ACAL Auditores Independentes. O relatório indicou dificuldade em obter evidências para validar saldos iniciais após a transferência da administração fiduciária.
CRIs remarcados e os riscos da carteira
A BRL Trust informou que, desde a posse da administração em dezembro de 2025, revisou critérios de marcação a mercado de CRIs vinculados aos empreendimentos Itaparica, Real Park, Savoie e Santo André. Esses ativos foram citados na reportagem de abril sobre atrasos e dúvidas sobre a liquidez.
Entre os CRIs citados, a exposição somava mais de R$ 380 milhões, equivalente a 83% do patrimônio líquido do fundo, de R$ 459 milhões, segundo o relatório gerencial à época. A administradora afirmou que houve remarcação conforme critérios técnicos, contábeis e normativos.
Queda das cotas e respostas regulatórias
Em 30 de abril, o CACR11 informou a suspensão de dividendos do mês, o que ampliou a pressão sobre o ativo. As cotas registraram queda expressiva na bolsa, com perdas próximas de 60% em cinco pregões.
A CVM enviou ofício à administradora para esclarecer a abstenção de opinião e as medidas para regularizar a situação. Em resposta, a BRL Trust descreveu um plano de ação para regularização e reemissão das Demonstrações Financeiras sem abstenção de opinião.
Reação do mercado e posicionamento
Fontes do mercado destacaram a surpresa com a divulgação tardia da contratação do auditor, ocorrida em abril, apenas após a intervenção da CVM. A abordagem é vista como tentativa de reforçar governança diante das pressões regulatórias.
A Cartesia ainda não respondeu oficialmente aos questionamentos sobre a contratação do auditor para a reemissão das demonstrações. O espaço permanece aberto para manifestação da gestora.
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