- A nova versão do Desenrola Brasil pode renegociar entre R$ 62,7 bilhões e R$ 77,7 bilhões em dívidas de brasileiros, segundo BTG Pactual e XP Investimentos.
- O governo projeta até R$ 20 bilhões em renegociações e benefício para cerca de 20 milhões de pessoas.
- O Desenrola Família é a frente principal, voltada a quem tem renda de até R$ 8.105 mensais; outras frentes são Fies, empresas e rural.
- O programa já é oferecido pelos bancos e foca dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com atraso entre 90 dias e dois anos.
- Analistas apontam que o potencial é menor que na primeira versão; a XP aponta efeito positivo no consumo e no PIB, enquanto o BTG aponta alcance mais restrito pela concentração em dívidas bancárias.
O novo Desenrola Brasil pode renegociar entre R$ 62,7 bilhões e R$ 77,7 bilhões em dívidas de brasileiros, segundo relatórios do BTG Pactual e da XP Investimentos. O programa, já em operação pelo sistema financeiro, visa dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com atraso entre 90 dias e dois anos. A meta do governo é alcançar até R$ 20 bilhões em renegociações e beneficiar cerca de 20 milhões de pessoas.
O Desenrola 2.0 reúne quatro frentes: famílias, Fies, empresas e rural. Na frente famílias, a renda mensal pode chegar a até cinco salários mínimos, ampliando o acesso em relação à edição anterior. O Desenrola Família, nesse formato, envolve pessoas com renda de até R$ 8.105 mensais. O programa foi indicado como carro-chefe da estratégia para reduzir inadimplência.
Segundo o BTG Pactual, o potencial de renegociação do conjunto atual fica em torno de R$ 62,7 bilhões, limitado pela concentração da oferta em dívidas bancárias, diferente da primeira versão, que incluía também débitos não bancários. Em 2023, a primeira edição prometia destravar até R$ 100 bilhões, mas resultou em números menores e impacto misto no consumo.
A XP Investimentos aponta possibilidade de renegociação de até R$ 77,7 bilhões, com base no estoque de dívidas elegíveis e na adesão integral. Para a XP, o programa pode estimular o consumo e exercer efeito positivo no PIB, estimando crescimento de até 0,16% em 2026 e queda de até 0,8 ponto percentual na inadimplência até o fim do ano.
Analistas destacam que, embora haja redução da inadimplência e renegociação em curso, o aperfeiçoamento de condições financeiras depende de fatores como o mercado de trabalho e a continuidade de juros mais baixos. O BTG ressalta que o alcance pode não superar a primeira edição e que os efeitos sobre o bem-estar imediato das famílias podem seguir limitados.
O governo informou que, desde o lançamento, o Desenrola já renegociou quase R$ 1 bilhão em dívidas, com cerca de 200 mil pedidos atendidos. O objetivo é reduzir a inadimplência e ampliar o acesso ao crédito, especialmente em ano eleitoral. A avaliação de especialistas permanece de que o impacto real dependerá da adesão das parcelas e da renda disponível futura.
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