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Duplicata escritural avança 2º ciclo de testes após ruídos entre registradoras

Duplicata escritural avança para segunda rodada de testes, com falhas técnicas e disputas entre registradoras; BC autoriza implementação gradual até 2028

Duplicatas, muito usadas para antecipação de recebíveis de vendas a prazo, movimentam atualmente cerca de R$ 10 trilhões por ano
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  • Quick Soft e SPC Grafeno iniciaram o segundo ciclo de testes da duplicata escritural, seguindo etapas iniciadas por B3, Núclea e Cerc.
  • Os testes serão feitos separadamente, com conexão entre sistemas sendo testada posteriormente, para garantir interoperabilidade e acesso padronizado às informações.
  • O cronograma inicial de sessenta dias mostrou-se insuficiente devido a cerca de vinte cenários de testes que precisaram de ajustes, gerando atraso na certificação da auditora Grant Thornton.
  • Houve divergências entre as registradoras, levando à suspensão da participação da SPC Grafeno em um dos ciclos, após falha identificada pela auditora.
  • A adoção obrigatória deve começar em dois mil vinte e sete e se estender até meados de dois mil e vinte e oito, com os bancos registrando duplicatas no modelo escritural para grandes empresas e, gradualmente, para companhias menores.

As registradoras Quick Soft e SPC Grafeno iniciaram nesta semana o segundo ciclo de testes da duplicata escritural, a versão digital do título de crédito que representa vendas a prazo. Os ensaios seguiram o mesmo caminho traçado por B3, Núclea e Cerc, após atrasos e impasses entre participantes.

Ao longo das próximas semanas, cada registradora fará testes isolados, para depois verificar conexões entre sistemas em uma segunda etapa. O objetivo é criar uma estrutura interoperável que permita acesso padronizado e seguro a todos os elos da cadeia.

Os testes anteriores revelaram que o cronograma de 60 dias não foi suficiente devido à complexidade da operação. Pelo menos 20 cenários precisaram de ajustes, com demanda de aprovação do Banco Central e atraso na divulgação do relatório de certificação da Grant Thornton.

Entre as divergências, a SPC Grafeno foi afastada do primeiro ciclo após uma falha identificada pela auditoria, que considerou o exercício irregular. A empresa contestou, mas a decisão de manter a suspensão foi mantida em votação entre as registradoras.

Em março, empresas remanescentes indicaram necessidade de mais tempo para avançar, levando o comitê das signatárias a aprovar a prorrogação em nova votação, segundo fontes. O episódio evidenciou tensões internas entre as partes.

Para além das questões técnicas, o caso suscitou críticas de gestores da Quick Soft. O CEO Lucas Fiuza afirmou que a extensão pode favorecer a competição entre registradoras, o que, na visão dele, não seria saudável.

Agora, B3, Cerc e Núclea aguardam autorização do Banco Central para atuar como entidades escrituradoras. Com a anuência, o próximo estágio controlado terá um grupo seleto de clientes. O BC prevê duração de seis meses para esse procedimento.

A adoção obrigatória ocorrerá gradualmente a partir de 2027 e deve se estender até meados de 2028. Inicialmente, bancos registrarão duplicatas no modelo escritural para grandes empresas; depois, a exigência alcançará companhias menores.

Hoje, segundo estimativas da indústria, o mercado de duplicatas em formato mercantil movimenta cerca de 10 trilhões de reais por ano. A expectativa é que o novo balcão facilite operações com vencimentos mais longos e tickets maior valor.

As mudanças visam destravar o mercado e reduzir gargalos técnicos que atrasaram a certificação. O objetivo final é permitir interoperabilidade robusta entre bancos, registradoras e empresas, de forma segura e padronizada.

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