- A aprovação de Luiz Inácio Lula da Silva gira em torno de cerca de cinquenta por cento, mesmo com indicadores econômicos e sociais favoráveis.
- Em 2010, Lula tinha aprovação de cerca de oitenta por cento, o que aponta uma dissonância entre economia atual e popularidade.
- Economistas citados destacam que além de inflação baixa e desemprego controlado, fatores como pobreza extrema em queda e redução de mortes violentas ajudam, mas não explicam tudo.
- Explicações vão além de indicadores econômicos, incluindo comparação com o boom dos dois primeiros mandatos, mudanças de consumo globalizadas e, mais recentemente, a “guerra cultural”.
- Hoje, o peso do “voto econômico” parece menor frente à agenda de costumes, com o teto de aprovação do presidente estimado em cinquenta a cinquenta e cinco por cento.
A economia ainda pesa na avaliação do governo, mas a popularidade não acompanha o desempenho. Economistas analisam por que o atual governo de Lula3 mantém aprovação em torno de 50%, mesmo com indicadores econômicos favoráveis.
Dados recentes apontam melhora da economia: desemprego e inflação em níveis baixos desde o Plano Real, queda da extrema pobreza para 4,8% em 2024 e redução de mortes violentas desde 2018. Ainda assim, a aprovação de Lula fica aquém do que seria esperado.
Segundo os autores Laura Carvalho e Guilherme Klein, publicados na Folha, fatores além de números macro apresentam explicação. Eles citam comparação com a ascensão dos dois primeiros mandatos e nova pauta de consumo, globalizada pelas redes sociais.
Além disso, a percepção pública envolve endividamento elevado e pressão de preços de itens essenciais. Os economistas discutem que a comparação com o que ocorreu no início do governo pode influenciar a avaliação atual.
Outra linha de análise aponta para o contexto de 2010, quando a economia operava em superaquecimento e o câmbio valorizado favorecia a popularidade do governo. O hiato do produto na época era positivo em cerca de 4 pontos percentuais, com impactos sobre as contas externas.
Ao mesmo tempo, o noticiário destacava a atribuição de ganhos a fatores como a presença de grandes eventos e investimentos estruturais, que teriam inflado a percepção de sucesso no período. Isso é citado como parte de uma bolha de avaliação.
Mudança de foco? A influência da agenda de costumes
Hoje, a chamada guerra cultural aparece como elemento relevante na avaliação pública. A partir de pesquisas de rejeição, o teto de aprovação de Lula fica próximo de 50% a 55%, com uma parcela significativa da população mantendo posição negativa.
Em síntese, o chamado voto econômico, embora relevante, parece perder peso frente a uma pauta centrada em costumes. A disputa política passa a incorporar variáveis de percepção social, estilo de governança e alinhamento com valores culturais.
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