- Especialistas defendem união entre governo e startups para acelerar a inovação, apontando falta de confiança e conhecimento como principal entrave.
- No São Paulo Innovation Week, Franklin Weise e Daniel Leipnitz discutiram o papel de ecossistemas na transformação econômica das cidades.
- O PNCP, criado em 2021, passou de 249 municípios integrados para mais de 4,7 mil em 2025, cobrindo cerca de 80% das cidades brasileiras.
- Em 2025, mais de um milhão de contratos foram homologados pelo PNCP, movimentando aproximadamente R$ 1,1 trilhão, com expectativa de crescimento em 2026.
- Quase 30% das compras governamentais em 2024 envolveram microempresas e empresas de pequeno porte; ainda há contratações sob o marco legal da inovação com dados de acompanhamento pouco acessíveis.
O avanço dos ecossistemas de inovação e o papel da tecnologia na transformação econômica das cidades estiveram em foco durante a palestra realizada no São Paulo Innovation Week. O tema foi apresentado por Franklin Weise, colunista do Estadão e fundador do hub Desvendados, e por Daniel Leipnitz, fundador da Cidade Inovadora. O encontro aconteceu nesta quinta-feira, dia 14, na capital paulista, reunindo líderes, startups e gestores públicos. A conversa abordou como governos e ecossistemas podem construir juntos o futuro da inovação, com foco no Brasil.
A dupla destacou números do PNCP, o Plano Nacional de Compras Públicas, criado em 2021 para integrar contratações municipais, estaduais e federais em uma única plataforma. Segundo Weise, o alcance do sistema cresceu de 249 municípios em 2021 para mais de 4,7 mil em 2025, cobrindo cerca de 80% das cidades brasileiras. Em 2025, o PNCP homologou mais de 1 milhão de contratos, totalizando aproximadamente R$ 1,1 trilhão. A projeção é de continuidade desse crescimento em 2026.
Panorama do PNCP e participação de PMEs
Dados apresentados apontam que quase 30% das compras governamentais em 2024 envolveram microempresas e empresas de pequeno porte, evidenciando o potencial de estímulo à economia local pelo setor público. Ainda segundo Weise e Leipnitz, um gargalo recorrente é a falta de confiança e de conhecimento sobre o funcionamento desses processos, tanto entre startups quanto entre órgãos públicos.
Desafios regulatórios e confiança mútua
O debate também tratou do marco legal da inovação. Embora existam mecanismos para contratação de soluções inovadoras, o número de contratos ainda é pequeno frente à dimensão da estrutura pública. A dificuldade de acessar dados e monitorar os procedimentos também restringe o ritmo de crescimento do ecossistema.
Daniel Leipnitz ressaltou que a inovação só tem sentido quando melhora diretamente a vida do cidadão. Ele mencionou a necessidade de um ecossistema democrático que envolva diferentes áreas e, principalmente, a construção de confiança entre atores por meio de ações conjuntas e do conhecimento mútuo.
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