- O filósofo Luc Ferry afirmou que as IAs não erram, destacando que versões gratuitas podem apresentar falhas; versões pagas, segundo ele, seriam quase perfeitas.
- Ele citou um exemplo próprio: pediu ao ChatGPT a tradução de cinquenta páginas da versão alemã de seu livro e obteve o resultado em quatro minutos, sem erro.
- Sobre o impacto no mercado de trabalho, Ferry disse que não é uma revolução semelhante à industrial, mas a mais importante da humanidade, com características distintas; não acredita que novos empregos surgirão em grande quantidade.
- Propõe renda mínima universal financiada por taxas sobre o uso de robótica e inteligência artificial, além de defender serviço público para manter as pessoas ativas e evitar problemas sociais.
- Durante a apresentação, mostrou um deepfake de Barack Obama e pediu regulação com avisos de IA; afirmou que, se estivesse na política, lutaria pelo fim do anonimato nas redes.
Luc Ferry, filósofo e ex-ministro da Educação da França, participou do São Paulo Innovation Week para falar sobre o avanço da inteligência artificial e seus impactos. O histórico evento reuniu especialistas para discutir cenários futuros e regulações necessárias.
O pesquisador francês afirmou que a IA não erra mais quando utilizadas versões pagas, apontando que ferramentas profissionais reduzem erros em áreas como medicina, história e matemática. Também citou um teste próprio com a tradução de um trecho de seu livro.
Ferry demonstrou, ainda, como a IA pode gerar ganhos de eficiência, citando um pedido de tradução de 50 páginas que levou apenas minutos com resultado preciso. Esse episódio serviu para ilustrar o rápido desempenho de sistemas de ponta.
Para o filósofo, não se trata apenas de uma revolução tecnológica, mas de uma transformação profunda no mercado de trabalho. Ele compara o impacto atual com mudanças anteriores, destacando características distintas do século XVIII.
O pensador defende a criação de uma renda básica universal financiada pela tributação sobre o uso de robótica e IA. Também defende o fortalecimento de serviços públicos, como leitura para idosos e ensino de história, para evitar paralisação social.
Em paralelo, Ferry abordou o tema dos deepfakes ao mostrar um vídeo com a imagem de Barack Obama, considerado não autêntico. O episódio gerou debates sobre a necessidade de legislação que avise quando o conteúdo foi produzido com IA.
Ele sugeriu que mensagens de alerta sejam associadas a vídeos criados por IA para proteger reputação e evitar danos. O filósofo também comentou a possibilidade de reduzir o anonimato nas redes, caso continue a haver uso indevido de tecnologias digitais.
Deepfakes e regulação
A palestra destacou a importância de regulamentação específica para conteúdos gerados por IA. Segundo Ferry, é essencial estabelecer regras claras para evitar danos à credibilidade de indivíduos e instituições. A ideia é balancear inovação com proteção de pessoas.
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