- Governo anunciou o fim da chamada “taxa das blusinhas” de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, sancionada em 2024.
- A medida volta a reduzir impostos sobre consumo popular; a arrecadação com importação foi de R$ 1,78 bilhão nos quatro primeiros meses de 2026 e de R$ 5 bilhões em 2025.
- A revogação ocorre perto do primeiro turno das eleições de 2026 e é avaliada por analistas como medida que pode ajudar o governo, mas não é determinante para a vitória.
- Reações: Abvtex e Abit criticam a decisão; a Shein afirma que a isenção beneficia o consumidor; o ICMS continuará sendo cobrado pelos estados.
- A retirada da taxa integra um conjunto de ações do governo para conter preços e ampliar renda, incluindo medidas como Gás do Povo e Luz do Povo, além de novas políticas de crédito.
Desde sancionada por Lula após aprovação no Congresso em 2024, a chamada “taxa das blusinhas” foi alvo de críticas e, agora, tem fim anunciado pelo governo. A medida, que incidia 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, será revogada.
O anúncio ocorreu na terça-feira (12/5). O governo afirma que a revogação reduz impostos sobre consumo popular e pode influenciar a percepção pública em um ano eleitoral, somando-se a outras ações de estímulo à renda.
O que aconteceu, quem está envolvido e quando
O Ministério do Planejamento e Orçamento informou o fim da taxa, criada em junho de 2024, como parte de um conjunto de medidas para manter o poder de compra da população. O tema tem impacto direto sobre a arrecadação de importação, já que, nos quatro primeiros meses de 2026, o governo registrou R$ 1,78 bilhão em receitas de importação decorrentes da taxa. Em 2025, o montante alcançou R$ 5 bilhões.
Por que e quais impactos
Bruno Moretti, ministro do Planejamento, afirmou que a isenção beneficia o consumo popular, especialmente entre as camadas mais pobres. Ele destacou que a maior parte das compras é de baixo valor, sugerindo que a revogação não prejudica a indústria nacional. Ainda assim, a medida gerou reação de associações do setor têxtil, que a classificaram como retrocesso econômico e ataque às empresas nacionais.
Reações e leituras técnicas
Especialistas divergem sobre o efeito eleitoral. Para Yuri Sanches, da AtlasIntel, a revogação pode trazer benefício pontual ao governo, sem alterar a tendência de apoio. Já o economista Hilton Fernandes, da FESPSP, vê a medida como vacina contra ataques oposicionistas, com impacto limitado na popularidade.
A pauta também envolve o contexto eleitoral, incluindo outras ações do governo para conter custos de vida, como o fim de subsídios a combustíveis em parte e a ampliação de programas sociais. A eleição de 2026 permanece marcada por disputas entre políticas públicas e mensagens de gestão econômica.
Outros componentes do pacote econômico
Além da retirada da taxa, o governo tem adotado medidas para conter inflação e juros, como a expansão de crédito e o reajuste de programas de assistência. Entre as ações, destacam-se o Crédito do Trabalhador, com uso do saldo do FGTS como garantia, e o fortalecimento de programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida.
Contexto fiscal e cenário
Especialistas apontam que a combinação de estímulos e gastos pode pressionar a inflação e elevar a dívida pública, ainda que haja defensores que enfatizam a necessidade de manter o crescimento econômico. A taxa Selic, que estava em 14,5% ao ano, tem sido um ponto de equilíbrio entre controle da inflação e estímulo ao crescimento.
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