- Fundo Rural+Verde, de US$ 25 milhões, foi lançado em Nova York pelo Banco da Amazônia, Instituto Amazônia+21 e Global Citizen para financiar pequenos produtores da Amazônia Legal, com aporte âncora de US$ 2 milhões do Banco da Amazônia.
- O modelo é blended finance; na fase inicial, os aportes são filantrópicos, atendendo territórios selecionados como assentamentos rurais, comunidades pesqueiras e quilombolas, e também pode aportar em projetos já em operação.
- A partir do segundo ano, a operação deve ser sustentada pela renda dos ativos e pela captação contínua de recursos de diferentes fontes de capital.
- Projetos previstos incluem eletrificação de embarcações de pesca e a criação de um grid de abastecimento energético, visando reduzir o uso de combustível fóssil.
- O anúncio ocorre enquanto o crédito climático ganha espaço na região, com o Banco da Amazônia já comprometido com R$ 500 milhões para três fundos ESG até o fim de 2026, e a Global Citizen apoiando a captação de investidores internacionais.
O Banco da Amazônia, o Instituto Amazônia+21 e a Global Citizen anunciaram o Fundo Rural+Verde, voltado ao financiamento de pequenos produtores na Amazônia Legal. O lançamento ocorreu em Nova York, durante o Global Citizen NOW: NYC, parte da Brazil Week. O objetivo é captar US$ 25 milhões até setembro, com o Banco da Amazônia atuando como cotista âncora.
O fundo funciona em formato blended finance, combinando capital público, filantrópico e privado para ampliar o acesso a crédito na região. A mobilização de investidores, incluindo internacionais, será conduzida pela FAIS — Facility de Investimentos Sustentáveis, em parceria com a Global Citizen. A iniciativa busca estruturar uma etapa inicial de preparação de território e das cadeias produtivas verdes.
Na primeira fase, os aportes são filantrópicos e o foco está em territórios previamente selecionados, como assentamentos rurais, comunidades pesqueiras e quilombolas do entorno. Também é possível aportar recursos em projetos já em operação, desde que alinhados à tese do Rural+Verde. A partir do segundo ano, a operação deverá se sustentar com a renda gerada pelos ativos.
Entre as ações previstas, está a eletrificação de embarcações de pesca em assentamentos rurais e a criação de um grid de abastecimento energético. Pescadores da região costumam destinir a maior parte da renda mensal ao combustível fóssil, o que motiva o projeto de descarbonização da pesca. O objetivo é demonstrar a capacidade do fundo de mobilizar parceiros estratégicos para soluções de longo prazo.
O Fundo Rural+Verde surge como resposta a um gargalo histórico: apesar de a agricultura familiar responder por grande parte dos empregos rurais na Amazônia Legal, apenas uma parcela tem acesso a crédito subsidiado. A iniciativa oferece instrumentos para financiar projetos com escala, coordenação e segurança, buscando ampliar o fluxo de recursos para a região.
Financiamento climático e investimento: após o anúncio, a estratégia de captação deve atrair novos investidores, inclusive internacionais, com apoio da Global Citizen. A diretoria do Instituto Amazônia+21 afirma que a operação planeja permanecer alinhada a uma visão de longo prazo, transcendendo mandatos políticos, com maior participação de atores europeus em iniciativas semelhantes.
O aporte do Banco da Amazônia integra o compromisso firmado na COP30, em Belém, de aportar até US$ 500 milhões para ancorar três fundos ESG até o fim de 2026. O banco enfatiza que a iniciativa conecta pequenos produtores a uma nova lógica de financiamento, reconhecendo a floresta em pé como ativo econômico.
O Global Citizen NOW é apresentado pelos organizadores como espaço para anunciar soluções e ações, não apenas discussões. O Instituto Amazônia+21 é uma iniciativa de cooperação entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e as Federações da Indústria da Amazônia Legal.
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