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Honda registra primeira perda anual em 70 anos

Prejuízo anual de ¥423 bilhões marca primeiro resultado negativo em setenta anos, com recuo de metas de EV, sourcing da China e foco em motos

Getty Image A white Honda car being made in a factory with a worker to the left of the picture wearing white overalls and a cap.
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  • A Honda registrou a primeira perda anual em setenta anos, com prejuízo operacional de ¥423 bilhões no ano encerrado em março de 2026, reflexo da demanda fraca por veículos elétricos.
  • A empresa vai reduzir metas de produção de EVs e vai buscar peças na China para reduzir custos.
  • Mudanças na política dos Estados Unidos contribuíram para as perdas, incluindo a retirada de créditos fiscais para EVs e tarifas de importação.
  • A Honda vai focar em motocicletas, serviços financeiros e veículos híbridos, priorizando os mercados da América do Norte, Japão e Índia, e suspendeu planos de EVs e baterias no Canadá.
  • A fabricante prevê perdas de ¥512 bilhões relacionadas a EVs no próximo exercício, encerrado em março de 2027.

Honda registra a primeira perda anual em 70 anos, com prejuízo de ¥423 bilhões no exercício encerrado em março de 2026, impulsionado pelos investimentos em veículos elétricos que não deslancharam.

A demanda por EVs ficou aquém do previsto, levando a empresa a cortar parte de suas metas de produção de veículos elétricos e a buscar componentes na China para reduzir custos.

Mudanças na política dos EUA contribuíram para as perdas, entre elas o fim de incentivos fiscais a compradores de EVs e a aplicação de tarifas sobre carros e peças automotivas importadas.

Os incentivos de até US$ 7.500 para EVs foram eliminados pelo presidente Donald Trump em setembro de 2025, o que afetou o mercado consumidor no país.

As tarifas, que antes chegavam a 25% e foram reduzidas para 15%, também pressionaram margens de várias montadoras, incluindo a Honda. A empresa passou a priorizar setores mais estáveis, como motocicletas, serviços financeiros e veículos híbridos.

A Honda indicou mercados prioritários para o crescimento futuro: América do Norte, Japão e Índia, porém suspendeu planos de montar EVs e baterias no Canadá.

O CEO Toshihiro Mibe informou que a meta de EVs representar 20% das vendas de carros novos até 2030 foi retirada, assim como o objetivo de ter toda a linha movida a eletricidade até 2040.

Para o próximo exercício, encerrado em março de 2027, a Honda projeta perdas adicionais ligadas a EVs na faixa de ¥512 bilhões, conforme o radier de custos com o ajuste de estratégias.

Desafios do mercado de EV

Analista ouvida pela imprensa afirmou que a Honda, como membro de um grupo de grandes fabricantes, enfrenta dificuldade de adaptação a variações rápidas da demanda por EVs. A percepção é de que políticas públicas, custos de vida e concorrência de players chineses elevam a pressão sobre resultados.

Ela destacou ainda que, apesar do recente aumento da procura por EVs, motivado por custos de combustível, empresas desse porte precisam evoluir rapidamente para acompanhar o ritmo do mercado, o que traz incertezas para o curto prazo.

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