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Honda registra primeiro prejuízo em quase 70 anos após recuo em carros elétricos

Honda registra prejuízo líquido de US$ 2,7 bilhões no ano fiscal, após recuo de planos para veículos elétricos e mais de US$ 9 bilhões em encargos de reestruturação

Multinacional japonesa Honda tem primeiro prejuízo desde abriu capital em 1957
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  • A Honda registrou prejuízo líquido de US$ 2,7 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de março, primeiro desde que abriu capital há sete décadas.
  • O resultado foi impactado por mais de US$ 9 bilhões em encargos de reestruturação e baixas contábeis ligados à redução da aposta em veículos elétricos.
  • A empresa disse que o ambiente de negócios e a demanda mudaram além das expectativas, e que não houve flexibilidade suficiente para responder.
  • Em 2021 a Honda passou a investir fortemente em elétricos, com metas para 2040 e parcerias com General Motors e Sony; a estratégia era mais agressiva que a de rivais como a Toyota.
  • As vendas de veículos elétricos na Honda caíram em mercados-chave, incluindo a Ásia, onde as unidades despencaram mais de 25% em 2025.

A Honda Motor anunciou seu primeiro prejuízo anual desde a abertura de capital, em 1957, com números fechados em 31 de março. A empresa registrou lucro líquido negativo de US$ 2,7 bilhões, reflexo direto da retirada de parte de seus planos para veículos elétricos. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado.

A companhia apontou encargos de reestruturação superiores a US$ 9 bilhões e baixas contábeis associadas à redução de sua estratégia de EVs. Esse conjunto de itens pesou no desempenho do ano fiscal, marcando a virada para prejuízo após quase sete décadas de ganhos consecutivos.

Toshihiro Mibe, presidente executivo, reconheceu que o ambiente de negócios e a demanda mudaram de forma inesperada. Segundo ele, a Honda não conseguiu reagir com a flexibilidade necessária diante dessas mudanças.

Depois de anos acelerando na direção de elétricos, a Honda buscava acompanhar Tesla e BYD. Em 2021, a empresa passou a investir fortemente em EV, inclusive com parcerias envolvendo General Motors e Sony, com a meta de eletrificar toda a linha até 2040.

Hoje, a transição é vista como mais agressiva do que a de rivais japoneses, como a Toyota, que manteve foco em híbridos e combustíveis fósseis. A mudança exigiu investimentos altos e mudanças rápidas na linha de produção.

O recuo chegou a mercados-chave, incluindo China e Sudeste Asiático, onde a concorrência de veículos chineses de baixo custo pesou nas vendas. Em 2025, as unidades da Honda na Ásia caíram mais de 20% frente ao ano anterior.

Nos Estados Unidos, a demanda por veículos elétricos já mostrou sinais de desaceleração após forte crescimento. Relatórios indicam que esse cenário afetou também montadoras americanas, que enfrentam ajustes após picos de demanda.

A Honda informou ainda que as dificuldades de curto prazo impactaram seus resultados no ano fiscal, sem detalhar os planos para recuperação. A empresa disse que continuará avaliando sua estratégia de produto e investimentos.

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