- A Laspro aponta estrutura altamente dependente de créditos entre empresas do grupo, balanços sem assinatura, extratos bancários ausentes, contas vinculadas a CPFs de acionistas e transferências via PIX classificadas como empréstimos a partes relacionadas.
- Em fevereiro, a Fictor Invest declarava R$ 2,78 bilhões em ativos, sendo 99,6% créditos a partes relacionadas; a OROS Corretora de Seguros registrou R$ 402,5 mil em empréstimos a partes relacionadas e R$ 5,33 milhões em conta vinculada a CPFs de acionistas.
- A administradora aponta baixa de R$ 309,7 milhões na Fictor Holding Financeira, atribuída à operação B2B/AMEX, e relata baixa geração operacional em diversas empresas do grupo; a Fictor Alimentos devolveu a unidade de Betim ao antigo proprietário sem comunicação ao mercado.
- O relatório indica possível empolamento de ativos por meio de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital (AFAC) e contratos de mútuo, substituindo ativos operacionais por créditos de recuperação duvidosa; há discrepâncias entre demonstrativos em Fictor Holding Financeira e FW SPE Solar 1.
- Em Betim, a devolução da unidade da Fictor Alimentos e o contexto de crise envolvem abalo reputacional pós tentativa de compra do Banco Master e corrida por resgates de SCPs; a Fictor não respondeu aos questionamentos até o fechamento da matéria.
A administradora judicial Laspro avaliou, nos primeiros 30 dias da recuperação judicial da Fictor, uma estrutura fortemente dependente de créditos entre empresas do próprio grupo. Balanços sem assinatura, extratos ausentes e transferências via PIX para pessoas físicas aparecem como empréstimos a partes relacionadas. O diagnóstico inicial aponta risco de aparência de liquidez comprometida.
Segundo o Relatório Mensal de Atividades, a Fictor Invest declarava ativos de 2,78 bilhões de reais, 99,6% ligados a créditos entre partes relacionadas. Valores como AFAC e contratos de mútuo não tiveram comprovantes de liquidez, vencimento ou amortização apresentados. Em aros Corretora de Seguros, a Laspro identificou empréstimos entre partes relacionadas e saldo ligado a CPFs de acionistas.
Transferências e empolamento de ativos
O documento aponta PIX movimentado para pessoas ligadas ao grupo, posteriormente reclassificado como aumento de mútuos ativos, o que afetaria a liquidez imediata. Em fevereiro, a OROS registrou 402,5 mil em empréstimos com partes relacionadas, com devedores principais sendo a Fictor Holding e um sócio.
Conta vinculada a CPFs de acionistas totalizava 5,33 milhões de reais, com saldos de 4,54 milhões (Diego Nascimento) e 789,7 mil (Ana Paula Carmesini). A Laspro classifica esses saldos como empolamento de ativos, sem evidência de liquidez ou uso operacional.
Baixas contábeis e inconsistências
A Fictor Holding Financeira registrou baixa de 309,7 milhões de reais associada a operação B2B/AMEX, questionada pela administradora. Em janeiro de 2026, a empresa manteve desbalance entre demonstração de resultados e balancete, com propostas de ajustes ainda sem documentação suficiente.
Dúvidas também aparecem na Fictor Holding, que teve baixa de cerca de 580 milhões no ativo total entre 31 de dezembro de 2025 e 1º de janeiro de 2026, decorrentes da eliminação de lançamentos cruzados com a Fictor Invest, descritos como sem substância econômica.
Atividade operacional e desinvestimento
Além das inconsistências, o RMA indica baixa ou nenhuma geração de receita em várias unidades do grupo, incluindo SPEs de energia e agronegócios. Em Fictor Alimentos, unidade de Betim devolvida ao antigo proprietário, sem comunicação ao mercado até a conclusão desta reportagem.
A devolução ocorreu após diligência de 27 de abril de 2026, quando a administradora informou a desmobilização da UPI Mellore. A Fictor Alimentos ingressou na bolsa por meio de IPO reverso em 2024, mas não comunicou a mudança de uso do imóvel.
Contexto e próximos passos
A recuperação judicial envolve 43 empresas do grupo. A Fictor atribui a crise a danos de reputação após a tentativa de compra do Banco Master e à corrida por resgates de SCPs, estimados em bilhões de reais. A empresa não respondeu aos questionamentos até o momento.
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