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Ormuz e El Niño preocupam cafeicultor e elevam preço do café em 2027

Ormuz e El Niño elevam custos de insumos e irrigação, pressionando margens do cafeicultor e sinalizando cafezinho mais caro em 2027

Plantação de café (Malu Dourado/InfoMoney)
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  • Fertilizantes subiram de 30% a 40% nos últimos meses, impactando a operação do Sítio Jabuticaba (60 hectares) e elevando custos para a produção de café.
  • O custo de irrigação também saltou, com componentes do sistema hídrico (bombas, tubos, mangueiras) registrando alta de até 50%.
  • Ainda segundo o produtor, fertilizantes representam cerca de 15% das despesas; o encarecimento de 30% desses insumos eleva o custo total da operação em aproximadamente 4,5%.
  • A dependência brasileira de importação de fertilizantes (cerca de 85%) aumenta a vulnerabilidade a crises logísticas e a incertezas geopolíticas, como o estreito de Ormuz.
  • O setor teme um El Niño intenso no segundo semestre de 2026, o que pode afetar chuvas e a florada, com impacto na safra 2026/2027 e no preço do café.

O café brasileiro pode enfrentar custos maiores em 2027 devido a dois gatilhos: o aumento dos preços de fertilizantes provocado pelo estreito de Ormuz e a possibilidade de um El Niño intenso no segundo semestre. A soma desses fatores pode frear a recente tendência de estabilidade nos valores da bebida produzida no país.

A percepção vem de produtores, como Airam Quiuqui, administrador do Sítio Jabuticaba, em Águia Branca (ES). Em entrevista ao InfoMoney durante uma expedição da Nescafé, ele mostrou números da propriedade de cerca de 60 hectares, fornecedora da Nestlé no Espírito Santo, que ilustram o impacto setorial.

Custo dos insumos e vulnerabilidade do setor

Segundo Quiuqui, os fertilizantes passaram por alta entre 30% e 40% nos últimos meses, influenciados pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelo conflito no Oriente Médio. A fazenda utiliza em média 2 mil toneladas por hectare ao longo do ciclo produtivo, ampliando a sensibilidade a flutuações internacionais.

A dependência brasileira de importação de fertilizantes, em cerca de 85%, evidencia a vulnerabilidade logística. Analistas ouvidos pelo veículo indicam que 30% das importações vêm da Rússia, passando por Ormuz, o que amplifica riscos de abastecimento quando há tensões globais.

Impacto na irrigação e margens operacionais

A maior surpresa para a propriedade foi o aumento no custo de irrigação, com bombas, tubulações e mangueiras de origem petroquímica registrando elevação expressiva. Componentes do sistema hídrico chegaram a ficar até 50% mais caros, elevando despesas indiretas.

Ao considerar apenas fertilizantes, responsável por cerca de 15% das despesas, o encarecimento de 30% eleva o custo total da operação em aproximadamente 4,5%. Frente a margens líquidas usuais de 20% a 25%, isso representa impacto relevante para a lucratividade da cafeicultura.

Clima e perspectivas para a safra

A região acompanha a possibilidade de um novo ciclo de El Niño em 2026, após a La Niña do início do ano. Tais fenômenos ajudam a confirmar a transformação estrutural da cafeicultura, que demanda manejo hídrico eficiente e práticas de regeneração ambiental.

Para Quiuqui, as mudanças climáticas deixaram de ser apenas risco e passaram a exigir estratégias econômicas e ambientais. Recomendações incluem conservação hídrica e recomposição vegetal para melhorar retenção de água, reduzir temperaturas do solo e aumentar a resiliência dos cafezais.

A janela crítica permanece entre agosto e outubro, quando a florada depende das chuvas. O volume de água disponível nesse período será decisivo para a produção da próxima safra e, consequentemente, para o preço do café nos meses seguintes.

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