Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Pedreiro não será demitido por IA; emprego do futuro segue offline

A IA não derruba pedreiros: demanda por mão de obra qualificada cresce, enquanto cargos do futuro sofrem automação e a formação técnica ganha peso

Silhuetas de homens trabalhando em construção
0:00
Carregando...
0:00
  • A IA não elimina apenas profissionais de escritório; empregos manuais continuam em alta demanda e bem remunerados, enquanto funções de colarinho branco enfrentam automação.
  • Em Texas, o apresentador Mike Rowe observou três eletristas jovens sem dívidas de faculdade, com salários altos e sem diploma universitário.
  • Nos EUA, estima-se que serão necessários cerca de 300 mil eletricistas nos próximos dez anos, com 200 mil próximos da aposentadoria; a McKinsey já apontava a escassez de mão de obra técnica.
  • A Randstad aponta que a revolução da IA aumenta a demanda por trabalhadores qualificados, acima do que ocorre com profissionais de colarinho branco; no Brasil, matrículas na educação profissional cresceram 68,4% entre 2021 e 2025, com investimentos públicos previstos para 2026.
  • Pesquisadores de Princeton identificam empresários “ricos fora do radar” nos EUA, donos de negócios entediantes, sugerindo que o futuro do trabalho pode se parecer mais com o passado.

Fiz uma reforma recentemente e contratei um pedreiro, um pintor, um eletricista e um marceneiro para refazer o piso de madeira. O pedreiro chegou com dois assistentes, dizendo estar ali para supervisionar. Perguntei quantas pessoas trabalhavam no total: oito. Brinquei sobre a IA roubando o emprego dele; houve risada.

A narrativa comum do trabalho evoluiu ao longo das décadas. Primeiro veio a ideia de estudar, ter diploma, emprego de escritório, crachá, plano de saúde e cadeira ergonômica. O sonho de tecnologia ganhou força com o surgimento das big techs e a popularização da internet.

A virada com a IA

A IA generativa mudou esse roteiro de forma radical. Ferramentas de software estão automatizando funções antes consideradas estáveis, especialmente em áreas de colarinho branco, como análise, redação, programação, jurídica e contábil.

Enquanto isso, quem atua com o trabalho manual segue com agenda ocupada e remuneração alta. Essa diferença ficou evidente em um visita de Mike Rowe, apresentador de Dirty Jobs, a um data center no Texas em março de 2026.

Dados e evidências internacionais

Rowe observou três eletricistas jovens, sem dívidas de faculdade, que haviam sido recrutados por diferentes empresas nos últimos 18 meses. Ele afirmou que a remuneração nesse nicho pode chegar a até US$ 260 mil por ano, mesmo sem diploma universitário.

Segundo a Fortune, estima-se que os EUA precisarão de cerca de 300 mil novos eletricistas na próxima década, com grande parte já perto da aposentadoria. Um relatório da McKinsey de 2024 aponta que a contratação anual para funções técnicas qualificadas pode superar em muito o aumento líquido de postos entre 2022 e 2032.

Infraestrutura e demanda

A IA depende de infraestrutura física, como grandes data centers, que demandam mão de obra especializada para serem erguidos e mantidos. A Randstad, em 2025, aponta que a revolução tecnológica gera demanda por trabalhadores qualificados superior à de profissionais de colarinho branco.

No Brasil, o Censo Escolar 2025 mostra aumento significativo da educação profissional: matrículas passaram de 1,89 milhão em 2021 para 3,18 milhões em 2025, uma expansão de 68,4%. O governo federal projeta investir R$ 8 bilhões em ensino técnico em 2026, com a criação de 600 mil vagas.

Além da mão de obra: o conceito de negócios entediantes

Para quem não tem perfil manual, surge a aposta em *boring business*, negócios pouco glamorosos, como redes de concessionárias, distribuidoras de bebidas, clínicas dentárias, franquias de ar-condicionado e lavanderias. Pesquisadores associaram esses empreendimentos a ganhos estáveis e previsíveis.

O estudo, realizado para a Universidade de Princeton, analisou 22 anos de dados tributários nos EUA e revelou que a parcela mais rica 0,1% não é formada apenas por executivos ou fundadores. Grandes fortunas vêm, muitas vezes, de empresários de atividades rotineiras no interior.

Perspectiva para o futuro

Os autores Owen Zidar e Eric Zwick descrevem os “ricos fora do radar” como个 donos de negócios que, embora pouco noticiados, entregam caixa estável em qualquer ciclo econômico. O conjunto de evidências sugere que o futuro do trabalho pode manter traços do passado, com nichos técnicos ganhando protagonismo.

A conclusão permanece factual: a automação avança, setores técnicos resistem e oportunidades surgem tanto em alta tecnologia quanto em atividades manuais especializadas. O ambiente de trabalho passa por uma transformação que integra mão de obra presencial e automação.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais