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Por que Modi pede que indianos comprem menos ouro e viajem menos ao exterior

Modi convoca austeridade para preservar dólares após a guerra no Irã; demanda por divisas supera oferta, pressionando rupia e contas públicas

India imports roughly 90% of its crude oil and half its gas needs
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  • O primeiro-ministro Narendra Modi pediu aos indianos que reduzam gastos, evitem viagens ao exterior e considerem trabalhar de casa para economizar dólares diante do impacto da guerra no Irã.
  • A mensagem busca sustentação econômica, não apenas solidariedade, e gerou onda de nervosismo nos mercados financeiros da Índia.
  • A Índia importa cerca de noventa por cento do petróleo e metade do gás, com compras elevadas de ouro intensificando a demanda por dólares; o governo elevou impostos de importação sobre ouro e prata para quinze por cento.
  • As reservas de moeda externa da Índia são em torno de $ 690 bilhões, suficientes para financiar importações por cerca de 11 meses, mas já houve queda de $ 38 bilhões desde o início do conflito.
  • Economistas alertam que, se a oferta não puder aumentar, a demanda por dólares pode pressionar a rupia e o déficit fiscal, exigindo ajustes que podem recair sobre os consumidores.

O premiê Narendra Modi pediu aos indianos que apertem o cômpo econômico diante de um cenário externo conturbado, com foco em reduzir gastos e consumo. A mensagem foi veiculada em Hyderabad, após o início de um conflito no Irã que já dura meses.

Segundo o governo, a recomendação envolve trabalhar de casa quando possível, evitar viagens internacionais desnecessárias, comprar menos ouro e reduzir o consumo de combustível. A orientação ecoa políticas de austeridade vistas durante a pandemia.

A vulnerabilidade econômica da Índia fica evidente por sua conta de importação de petróleo e gás, que depende quase que integralmente de mercados externos. O estreitamento do Estreito de Ormuz ampliou o faturamento com energia.

A desaceleração no fluxo de investimentos e a queda de exportações alimentam a pressão sobre a demanda por dólares. As reservas cambiais, próximas a 690 bilhões de dólares, cobrem quase 11 meses de importações, mas vêm recuando desde o início do conflito.

Especialistas destacam que o preço do petróleo em patamar elevado impõe custos ao orçamento. Analistas, como os da Nomura, estimam aumento do déficit fiscal e do saldo de pagamentos, agravando a necessidade de ajustar demanda interna.

O governo tenta tranquilizar o mercado, com ministro de Petróleo afirmando que não houve falta de combustível. Mesmo assim, a alta de tarifas de importação de ouro intensifica o déficit de conta corrente e a demanda por dólares.

Economistas ressaltam que a pressão cambial pode exigir acomodação da oferta monetária, com riscos de desvalorização da moeda. Uma queda acentuada da rupia até a casa dos 100 por dólar é vista como sinal de fraqueza econômica.

Historicamente, a Índia tem visto a desvalorização cambial como instrumento de prestige. A atuação atual busca equilibrar impactos de choques globais com a responsabilidade fiscal, sem ampliar prejuízos para consumidores.

Especialistas observam que proteger consumidores agora pode piorar escassez futura, atrasar a transição energética e elevar perdas do setor público de petróleo. O governo monitora o desequilíbrio entre demanda e oferta de dólares.

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