- Provisões do Nubank aumentaram 33% no primeiro tri, para US$ 1,79 bilhão, com a carteira de crédito crescendo 13,7% para US$ 37,2 bilhões; o NPL de curto prazo subiu para 5%.
- O crescimento de provisões ocorreu porque a carteira avançou mais rápido do que o esperado, enquanto a empresa revela ganho de participação de mercado.
- O lucro líquido foi de US$ 871 milhões, menor que as projeções de analistas e abaixo do trimestre anterior, e o ROE ficou em 29%.
- A eficiência caiu de 19,9% para 17,6%, impulsionada pelo uso de inteligência artificial que aumenta produtividade; a operação no México atingiu breakeven pela primeira vez e chegou a 15 milhões de clientes no país.
- A Nubank fechou o trimestre com 135 milhões de clientes no total, e a ação caiu cerca de 9% no after market. O banco segue com foco em manter qualidade de ativos mesmo com o crescimento.
O Nubank elevou provisões em 33% no primeiro trimestre, indicando um esforço para reforçar a qualidade da carteira em meio a um cenário de crédito mais adverso. A deterioração da inadimplência vem sendo observada, mantendo o foco do mercado na qualidade dos ativos.
O CFO Guilherme Lago explicou que o aumento ocorreu porque a carteira cresceu mais rápido que o esperado. Mesmo com o resultado abaixo do que alguns projetavam, ele destacou que o ganho de participação de mercado é positivo e pode compensar provisões maiores, dependendo da leitura de cada caso.
As provisões somaram US$ 1,79 bilhão, frente a US$ 1,35 bilhão do quarto trimestre, conforme o consenso de 19 analistas apontava para US$ 1,67 bilhão. A carteira de crédito cresceu 13,7%, para US$ 37,2 bilhões, acima da previsão de 8%.
Inadimplência e mix de produtos
A inadimplência de curto prazo (NPL 15-90) subiu de 4,1% para 5,0%, com 65 pontos-base explicados pela sazonalidade do setor, segundo Lago. O movimento está associado ao recebimento do décimo terceiro e maior consumo no cartão no primeiro trimestre, além de uma mudança de mix para produtos com maior risco, como empréstimo pessoal.
Segundo o CFO, nos últimos 12 meses o Nubank captou mais clientes no Brasil e no México que os cinco maiores bancos locais. O aumento da exposição também obedece a melhoria na modelagem de crédito por meio de IA, que permitiu ampliar limites e chegar a clientes anteriormente não atendidos. Lago reiterou que esses fatores não indicam deterioração da qualidade do crédito.
Se houver mudança macro, o executivo afirmou que a carteira pode reagir rapidamente, dado o curto duration dos produtos: cartão no Brasil tem 3 meses, no México 2 meses, e empréstimos 7 meses. A empresa afirma manter margem de segurança no crédito e avaliar cenários conforme evolução do negócio.
Resultados e eficiência
O Nubank fechou o trimestre com lucro líquido de US$ 871 milhões, o maior para um primeiro trimestre na história, com ROE de 29%. O lucro ficou aquém das estimativas de US$ 895 milhões do quarto trimestre e do consenso de US$ 918 milhões.
A eficiência operacional melhorou, com a taxa de despesas em relação à receita caindo de 19,9% para 17,6%, a melhor entre bancos da América Latina. Lago atribuiu parte da melhoria ao uso de IA, que vem ampliando a produtividade, com a engenharia reportando ganhos de produção.
No México, a operação chegou ao breakeven pela primeira vez e atingiu 15 milhões de clientes, tornando-se o terceiro maior banco do país. No conjunto, o Nubank somou 135 milhões de clientes, com 4 milhões de novas contas no trimestre.
O valor de mercado na NYSE ficou em US$ 63,4 bilhões, com queda de 3,4% nos últimos 12 meses. O resultado mostra um balanço resiliente em crescimento de carteira, mas com provisões acima do esperado gerando atenção do mercado.
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