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Sete em cada dez IPOs desde 2020 hoje valem menos

Sete em cada dez ações listadas desde 2020 operam abaixo do preço de estreia, e apenas 14,5% superaram o Ibovespa

Executivos da Caixa no lançamento das ações da Caixa Seguridade na Bolsa B3
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  • Compass, controle de gás e energia da Cosan, captou R$ 3,2 bilhões em seu IPO na B3, primeira oferta desde 2021.
  • Levantamento mostra que, desde 2020, 69,5% das empresas listadas hoje negociam abaixo do preço de estreia.
  • Apenas 14,5% superaram o Ibovespa desde o IPO até este início de semana.
  • Entre as novas ações, 21 operam acima do preço de estreia; quatro subiram mais de 100% (Cury Incorporadora, Orizon, Assaí e Caixa Seguradora).
  • Em contrapartida, 14 empresas perderam quase todo o valor, com quedas entre 91% e 99,99%.

Na segunda-feira, a Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, abriu capital na B3 com captação de R$ 3,2 bilhões. Foi a primeira IPO de ações desde 2021, quando a alta de juros interrompeu a janela de oportunidades no mercado de capitais.

O movimento marca a volta de ofertas públicas, ainda que o mercado tenha ficado mais reservado. Dados de uma consultoria mostraram que 69,5% das empresas que entraram na bolsa desde 2020 estão com ações abaixo do preço de estreia, e apenas 14,5% superaram o Ibovespa desde então.

Desde 2020 já foram listadas 69 empresas na B3, nem todas por meio de grandes ofertas. Alguns ativos entraram pela chamada porta dos fundos, por meio de IPO reverso ou cisões de companhias já listadas.

Panorama de retornos

Entre as estreantes, 21 ações operam acima do preço de estreia. Cinco registraram valorização expressiva: Cury Incorporadora (412%), Orizon (267,45%), Assaí (220%), Caixa Seguradora (167,21%) e, entre os mais recentes, um conjunto com ganhos superiores a 100%.

Por outro lado, 14 empresas perderam grande parte de seu valor, com quedas entre 91% e quase 100%. Em média, o momento inicial de listagem tem sido desfavorável para parte dos investidores pessoa física.

Riscos e perspectivas

O crescimento da participação de investidores pessoa física na bolsa ocorreu ainda na pandemia, aumentando de 1,68 milhão para 5,4 milhões em 2025. Esses números elevam a demanda por novas emissões, o que pode pressionar valuations.

Especialistas lembram que IPOs costumam trazer assimetria de informação, beneficiando investidores institucionais e serviços de underwriting. Estudos apontam que muitos IPOs chegam com valuation otimista, levando a preços iniciais elevados.

Além do cenário de juros, há fatores setoriais. As ofertas recentes tiveram forte peso de tecnologia, com alto risco de longo prazo. Quando o cenário macro mudou, muitos modelos de negócio não sustentaram as expectativas criadas no lançamento.

Renato Chaves, especialista em governança, destaca riscos para minoritários em IPOs muito avaliados no senso comum. Ele aponta distorções geradas por promessas de ganhos não confirmados e compensações de executivos e controladores no momento de abertura de capital.

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