- A indústria automotiva alemã prevê cortes de 225 mil empregos até 2035, após já ter perdido 100 mil postos de trabalho, segundo a associação VDA.
- Os cortes são atribuídos à transição para a mobilidade elétrica e à pressão regulatória da União Europeia sobre veículos movidos a combustíveis fósseis.
- A VDA critica a rigidez das regras da UE e afirma que, se o bloco recuar, pelo menos 50 mil empregos poderiam ser preservados.
- A Comissão Europeia propôs, no fim de 2025, rever a medida de emissões, sugerindo redução de 90% das emissões de CO₂ até 2035 em relação a 2021, em vez de 100%.
- Mesmo com eventual flexibilização, as montadoras terão que compensar emissões com uso de aço verde ou combustíveis climativamente neutros, além de novas regras para frotas.
A associação alemã do setor automotivo projeta que, até 2035, serão cortados 125 mil empregos adicionais no setor, ordem que somada aos 100 mil já perdidos leva a um total de 225 mil postos a menos no período. A previsão é baseada na transição para a mobilidade elétrica e nas regras da União Europeia.
Segundo a VDA, as perdas são mais acentuadas entre os fornecedores, com a queda de empregos no setor de autopeças devido à mudança de motores a combustão para a eletrificação. A entidade aponta ainda que as vendas de veículos movidos a combustíveis fósseis devem ser proibidas na UE após 2035.
A associação destaca que, até o momento, cerca de 100 mil empregos já haviam sido eliminados entre 2019 e 2025. A VDA chegou a prever 190 mil cortes de postos até 2035, um número que agora é revisto com o avanço da reforma regulatória.
Mudanças regulatórias e impactos
Diante da transição, a indústria afirma que novas vagas surgiriam fora da Alemanha, em razão de condições competitivas mais desfavoráveis no país. A VDA sustenta que a crise de localização no território alemão é grave e em evolução.
Müller, porta-voz da VDA, afirma que pelo menos 50 mil empregos poderiam ser preservados se o bloco europeu recuar da proibição total aos motores de combustão. A entidade critica a regulamentação considerada excessiva e pede abertura tecnológica viável na prática.
A Comissão Europeia apresentou, no fim de 2025, proposta de revisão da medida. A ideia é reduzir as emissões de CO2 das frotas de carros novos a partir de 2035 em 90% em relação a 2021, em vez de 100%. A revisão poderia permitir a entrada de veículos híbridos após essa data, se aprovada.
Há também obrigações para compensar as emissões com uso de aço verde ou combustíveis neutros. Ao mesmo tempo, passam a valer regras mais rígidas de CO2 para operadores de frotas, como locadoras, segundo o relatório agregado pela imprensa.
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