- No encontro do Bank of America, aposta em crescimento de tecnologia na América Latina impulsionado por IA, liquidez e rotação de capital para emergentes; expectativa de salto do capex em IA de US$ 155 bilhões em 2022 para US$ 770 bilhões neste ano.
- SoftBank Latin America Fund destaca o mercado consumidor brasileiro como grande oportunidade, com foco especial no setor de pets e exemplos como o seguro para pets da Petlove.
- Kaszek vê a Venezuela com potencial de recuperação, estimulada pela diáspora venezuelana que pode retornar ou abrir operações no país nos próximos cinco anos.
- Dados e ecossistema são vistos como ativos-chave: a integração entre portfólios, como iFood, melhora eficiência, redução de inadimplência e monetização via IA e publicidade.
- Fatores de governança e capital: empreendedores devem buscar financiamento quando não precisam, fortalecendo caixa e CFO para enfrentar ciclos econômicos da região.
Ao participar do Latin America Private Tech Trailblazers Summit, o Bank of America destacou o momento favorável para tecnologia na região. Liquidez elevada, avanço da IA e rotação de capital para emergentes moldam o cenário. O estudo aponta aumento expressivo no capex em IA e maior interesse de investidores.
O evento mostra que a IA já funciona como parte da arquitetura corporativa, não apenas como recurso. A fusão de ativos e dados entre ecossistemas facilita a escalarização de empresas na América Latina, com expectativa de capitalização de US$ 96 bilhões neste ano.
Sob o radar
Alex Szapiro, gerente-geral Latam do SoftBank Latin America Fund, mencionou que o mercado consumidor brasileiro é uma oportunidade subestimada, incluindo o setor pet. O Brasil figura entre os maiores mercados pet do mundo, onde gastos com saúde de animais representam peso relevante para famílias.
A Petlove é citada como exemplo de verticalização de consumo, ao oferecer seguros para pets para ampliar coberturas além de serviços tradicionais. Szapiro ressaltou oportunidades em varejo, serviços e consumo, áreas menos exploradas pela região.
Bullish na Venezuela
Nicolás Szekasy, cofundador do Kaszek, lembrou o histórico de adoção digital na Venezuela e a presença de uma diaspora talentosa nos países vizinhos. Segundo ele, muitos profissionais devem retornar ao país ou abrir operações locais, abrindo espaço para novas empresas nos próximos cinco anos.
O executivo afirma que o cenário venezuelano é de possibilidades abertas, com ambiente regulatório mais permissivo e espaço para startups nascerem desde o zero. A visão é de forte crescimento no curto e médio prazo, com oportunidades de reconstrução.
Fundadores motivados
Veronica Serra, fundadora da Innova Capital, destacou que manter a motivação de fundadores é crucial para crescer via aquisições sem perder ritmo. A autonomia, participação e um ecossistema que incentive a inovação são apontados como determinantes.
Para Serra, o programa de incentivos e o ambiente corporativo adequado ajudam a manter o foco dos empreendedores nas pautas centrais de negócio, acelerando a expansão sem comprometer a cultura da empresa.
Capital para quem não precisa
A executiva ressaltou que levantar capital em momentos de menor necessidade de dinheiro pode fortalecer liquidez e governança. Em ciclos regionais de crise, ter caixa robusto e uma gestão financeira sólida facilita a retomada de crescimento.
Ela orientou empresários a buscar financiamento quando não dependem dele, preparando-se para eventual aperto econômico. Segundo a visão da Innova, Brasil e restante da América Latina são mercados cíclicos com frequentes oscilações.
Dados como diamantes
Henrique Iwamoto, sócio da Prosus Latam Ecosystem, exemplificou como dados proprietários sustentam ganhos operacionais. O iFood, central no portfólio, é usado para demonstrar vantagens de ecossistema: redução de inadimplência e monetização por meio de publicidade e IA.
A ideia é integrar informações entre empresas para ampliar cross‑selling e reduzir riscos, fortalecendo a governança do portfólio e a previsibilidade de resultados.
Gabriel, o pensador
A Cloudwalk desenvolve agentes de IA que atendem grande parte dos clientes sem intervenção humana. O foco está em monitoramento de qualidade, segurança e experiência do usuário, para evitar falhas no atendimento.
Segundo representantes da empresa, o uso de IA para atendimento pode atender a quase todas as interações, com supervisão adequada para manter padrões.
Único prompt
Rafael Stark, da Starkbank, defende um modelo de banking com um único prompt conversacional que simplifique tarefas complexas. A proposta visa reduzir fricções operacionais e facilitar consultas sobre a conta.
O desafio permanece regulatório e de segurança, exigindo controles de privacidade, compliance e resiliência contra fraudes para produtos financeiros conversacionais.
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