- Telefónica registrou perda líquida de 411 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, ante 1,304 bilhão de euros no mesmo período de 2025.
- O desempenho inclui um impacto negativo de 798 milhões de euros por desinvestimentos na Hispanoamérica, com venda das filiais Chile, Colômbia e México.
- Excluindo essas unidades vendidas, o lucro líquido das operações contínuas ficou em 386 milhões de euros até março, ante 427 milhões de euros no 1º trimestre de 2025.
- A receita total somou 8.127 milhões de euros, queda de 11,8% frente ao ano anterior, puxada pela saída das filiais hispanoamericanas; sem essas vendas, haveria alta de 0,8% a câmbio constante.
- A dívida líquida fechou março em 25,342 bilhões de euros; a empresa mantém dividendos de 0,15 euro por ação para 2026, com pagamento em junho de 2027, e metas de crescimento de receita e EBITDA entre 1,5% e 2,5% para o ano.
Telefónica apresentou resultado negativo no início de 2026, registrando prejuízo líquido de 411 milhões de euros nos três primeiros meses. A perda, menor que o mesmo período de 2025, reflete a desinversão em Hispanoamérica e o impacto contábil das vendas de filiais.
Entre os fatores relevantes, destacam-se as vendas de operações na Chile,Colômbia e México, que geraram um impacto negativo de 798 milhões de euros no trimestre. Excluídas essas unidades, o lucro líquido das operações contínuas ficou em 386 milhões de euros.
A receita total alcançou 8,127 bilhões de euros no período, queda de 11,8% frente a 9,221 bilhões de 2025. Sem as desinserções, haveria crescimento de até 0,8% a câmbio constante e 0,4% a valores correntes.
Desempenho por operação e caixa
O EBITDA ajustado somou 2,836 bilhões de euros, alta de 1,8% a câmbio constante. O fluxo de caixa operacional ajustado subiu 2,4% e atingiu 1,375 bilhão de euros, após arrendamentos.
No segmento residencial, o B2C teve receita de 4,808 bilhões, estável perante 2025 e respondendo por 59% do total. O B2B avançou 5,7% a câmbio constante, para 1,932 bilhão, representando 24% da receita. O setor maiorista caiu 7,4%, para 1,387 bilhão (17% da receita).
Desempenho regional e estratégia
A empresa atribui os resultados ao plano Transform & Grow, que busca maior eficiência em investimentos e rentabilidade. O cash flow livre das operações continuadas ficou em 333 milhões no fechamento de março, influenciado pela sazonalidade inicial do ano.
Telefónica Espanha registrou receita de 3,233 bilhões de euros, aumento de 2%, com EBITDA ajustado de 1,150 bilhão. O arpu ficou em 91,5 euros, o churn em 0,7% e mais de 16 milhões de linhas móveis contratadas. IoT passou de 25 milhões de acessos.
Destaques por país
Telefónica Brasil apresentou alta de 7,4% na receita e 8,7% no EBITDA ajustado, com lucro líquido de 1,3 bilhão de reais (aproximadamente 234 milhões de euros). A base de clientes chegou a 117,5 milhões, com 3,6 milhões conectados via Vivo Total, mais 33% anual.
Em Alemanha, a redução de receita e EBITDA é atribuída ao efeito da migração de clientes da marca 1&1 para a rede própria. Ainda assim, houve ganho líquido de 48 mil contratos móveis e manutenção da taxa de churn da marca O2 em 1,1%.
No Reino Unido, a joint venture Virgin Media O2 reduziu perdas para 30,5 milhões de libras, frente a 135,5 milhões em 2025. A receita total caiu 6,5%, a 2,480 bilhões de libras, devido à menor venda de serviços e à competição.
Investimentos, dívida e perspectivas
O CapEx do trimestre foi de 866 milhões de euros, com a relação Capex/receita em 10,7%, dentro do guidance. O número de acessos somou 297,9 milhões, alta de 5,3% ao ano, com fibra ótica para o lar crescendo 8,6%.
A dívida líquida fechou março em 25,342 bilhões de euros, queda de 1,5 bilhão no trimestre e 6,3% frente a março de 2025. O resultado ajustado das operações continuadas ficou em 482 milhões de euros.
A empresa confirmou dividendos: 0,15 euro por ação em 2026, com pagamento em junho de 2027. O segundo tranche de 2025, também 0,15 euro por ação, ocorrerá em 18 de junho.
As projeções para 2026 permanecem: crescimento de receita e EBITDA entre 1,5% e 2,5%, com fluxo de caixa livre próximo a 3 bilhões de euros e relação de Capex sobre vendas em 12%. A companhia mantém foco na rentabilidade e na expansão de redes.
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