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Tok&Stok debate opções de financiamento e endividamento

Endividamento inadequado pode levar Tok&Stok à recuperação judicial ou falência, evidenciando risco de dívida elevada em ciclos voláteis

André Rocha — Foto:
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  • Tok&Stok é apresentada como exemplo de como a escolha da estrutura de capital pode levar a reestruturação judicial ou falência, conforme o artigo.
  • O texto mostra que juros mais altos no Brasil elevam o custo da dívida, de IPCA+7% ao IPCA+12% ao ano, aumentando juros anuais estimados de 62 milhões para 88 milhões.
  • Com receita estável e pouca capacidade de elevar preços, a compensação dos juros viria apenas por cortes de custos, reduzindo o retorno sobre investimento para 14,8%, abaixo do custo da dívida.
  • Outros casos citados de empresas que enfrentaram dificuldades incluem Raízen, Pão de Açúcar e Lojas Americanas, com Tok&Stok sendo citado como mais um integrante desse grupo.
  • O texto sustenta que a falha pode ter origem na gestão anterior, ao captar recursos para investimentos sem considerar a volatilidade econômica, com o exemplo ilustrativo apontando erro de gestão ao seguir o livro-texto sem adaptar à realidade local.

O texto analisa como a estrutura de capital pode levar uma empresa à recuperação judicial ou à falência. Embora muitos pensem em programas de quitação de dívidas, o foco é a relação entre dívida, geração de caixa e valor da empresa. O tema é aplicado a companhias brasileiras.

Entre os exemplos citados estão Raízen, Pão de Açúcar, Lojas Americanas e Tok&Stok, que teriam enfrentado dificuldades devido ao peso das obrigações financeiras frente à capacidade de pagamento. O artigo discute como escolhas de endividamento afetam o desempenho.

Em 2022, surgiu o cenário em que uma empresa poderia manter um endividamento de 2,5 vezes o Ebitda, mantendo receita estável. A expectativa era de ROE de 18,2% com 50% de dívida e 50% de capital próprio.

A hipótese previa captação de empréstimo de 500 milhões de reais, com juros de IPCA + 7%. Contudo, mudanças políticas levaram a juros maiores, elevando o custo para IPCA + 12% ao ano e pressionando o Ebitda.

A parcela de juros anual estimada seria de 62 milhões de reais, aumentando para 88 milhões de reais com juros efetivos de 44% do Ebitda. Esse impacto reduziria o retorno ao acionista e pressionaria o fluxo de caixa.

Sem possibilidade de elevar preços, a empresa precisaria apenas cortar custos para pagar as dívidas. Mesmo assim, o retorno sobre o investimento cairia para 14,8%, abaixo do custo da dívida, desincentivando o investimento.

A lógica reforça que pegar dívida elevou a taxa de desconto e destruiu valor da empresa. Mesmo com cortes de custos, o ROE não retornaria ao patamar inicial, e a gestão operacional não compensaria o peso financeiro.

As causas dos fracassos citados são diversas, mas a escolha inadequada da estrutura de capital aparece entre as principais. O texto ressalta que decisões tomadas no passado podem ter efeito adverso hoje.

O exemplo demonstra que a responsabilidade pode recair sobre a administração atual, mas o problema pode ter origem há anos, na captação de recursos para investimentos sensíveis à volatilidade econômica.

André Rocha, formado pela UFRJ, com mestrado pela FGV/EPGE, é advogado e analista certificado pela Apimec. As redes citadas permitem acompanhamento do seu trabalho.

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