- Anthropic está em negociações para captar pelo menos US$ 30 bilhões, a uma avaliação superior a US$ 900 bilhões, com planos de abrir capital na bolsa americana ainda este ano.
- OpenAI também corre para abrir capital, com expectativa de IPO próximo e avaliações bilionárias, mantendo corrida acirrada pelo primeiro registro público.
- Ambas as empresas usam a mesma base tecnológica, atendem clientes corporativos e dependem de chips da Nvidia para treinar e servir seus modelos.
- A Anthropic vem ganhando espaços em clientes corporativos pagos e, segundo fontes, pode ultrapassar a OpenAI nesse conjunto; o run rate de receita da Anthropic é estimado entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões.
- A Nvidia é apontada como beneficiária indireta da corrida, já que fornece hardware essencial; ainda não há data oficial para os IPOs nem detalhes sobre governança e ações disponíveis.
Dario Amodei deixou a OpenAI em 2020, não por dinheiro, mas pela convicção de que a segurança da IA devia ser o foco central. Com sua saída, ele ajudou a fundar a Anthropic em 2021, junto da irmã Daniela e outros pesquisadores.
Agora, cinco anos depois, a Anthropic busca abrir capital com uma captação de cerca de US$ 30 bilhões, numa avaliação acima de US$ 900 bilhões. A OpenAI corre para chegar ao IPO na frente, em uma disputa sem precedentes na história da tecnologia.
Embora compartilhem tecnologia, clientes corporativos e fornecedores de chips, as duas empresas seguem caminhos diferentes: a OpenAI nasceu sem fins lucrativos, tornou-se híbrida e, em 2025, virou Public Benefit Corporation. A Anthropic permanece associada a uma filosofia de segurança na IA.
Quem chega primeiro
A Anthropic contratou a Wilson Sonsini e conversa com bancos de investimento para estruturar o IPO, com possibilidade de estreia já em outubro de 2026 e captação superior a US$ 60 bilhões, segundo fontes do setor. Investidores iniciais podem buscar liquidez pública antecipada.
A OpenAI também se movimenta, com a CFO sinalizando abertura de parte do IPO a investidores individuais após uma rodada privada superada três vezes a meta. A corrida pela liderança de narrativa no mercado de IA é o foco, mas o apetite por dois IPOs grandes no mesmo semestre é questionado.
O que os investidores públicos não conseguem ver
Faltam ainda dados formais como o S-1, deixando receitas auditadas, margens brutas, obrigações contratuais, direitos de governança e o volume de vendas de insiders em aberto. A governança é um ponto sensível, dada a missão declarada de benefício da humanidade pela OpenAI.
A Anthropic, criada de uma disputa sobre segurança, mantém essa identidade como ativo de marketing, segundo relatos. A avaliação privada pode subir para além de US$ 900 bilhões caso a rodada se confirme, elevando o múltiplo sobre a receita.
O vencedor real
Independentemente de quem abrir capital primeiro, a Nvidia aparece como beneficiária segura pela demanda de chips para treinar e manter modelos de IA. O financiamento de ambos os IPOs tende a chegar aos balanços da fabricante de chips, que já fornece infraestruturas como o Stargate da OpenAI.
O desenrolar da corrida pode depender do apetite do mercado para dois IPOs de empresas pré‑lucrativas com valuations elevados. A pergunta central é quanto espaço resta para investidores de varejo quando a liquidez abrir.
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