- A empresa de consultoria TTEC suspendeu o programa de correspondência 401(k) discricionário para 16 mil funcionários até o fim de 2026, investindo em IA e automação.
- A Deloitte estaria reduzindo benefícios para alguns trabalhadores a partir do próximo ano, incluindo PTO, corte pela metade da licença parental e reembolso de até $50 mil para serviços de planejamento familiar (adoção, barriga de aluguel e fertilização in vitro).
- A Zoom cortou a licença parental de 22 para 18 semanas para trabalhadores que dão à luz.
- Especialistas indicam que o aumento nos custos com planos de saúde e a representação desigual de benefícios por função ajudam a explicar as cortes, com planos de saúde corporativos mais caros nos últimos anos.
- Observadores destacam que a política de licenças e benefícios nos EUA depende fortemente de empregadores privados, em meio a debates sobre falta de políticas públicas de apoio a mães e famílias.
A empresa de consultoria de tecnologia com sede no Texas, identificada como TTEC, suspendeu de forma abrupta o programa de correspondência 401(k) discricionário para 16 mil empregados até o fim de 2026, segundo informações obtidas pelo Business Insider a partir de um memorando interno. A companhia afirma que os recursos serão redirecionados para certificações em IA, ferramentas de IA, treinamento e automação.
A Deloitte, gigante de auditoria e consultoria, também está reduzindo benefícios para parte de seus funcionários a partir do próximo ano. Entre as mudanças estão a diminuição de licença remunerada, o corte pela metade da licença parental e o fim de um reembolso de até 50 mil dólares para serviços como adoção, barriga de aluguel e fertilização in vitro. A medida atinge uma classe interna de colaboradores, como administrativos, suporte de TI e finanças, sem afetar funções de atendimento ao cliente, segundo relatos.
A empresa Zoom, sediada em San Francisco, fez ajustes menores, reduzindo a licença parental de 22 semanas para 18 semanas para pessoas que dão à luz. A motivação anunciada envolve equilíbrio entre custos e recursos, mas não há confirmação de novas reduções de benefícios no curto prazo.
Especialistas ouvidos pelo veículo destacam que as mudanças ocorrem em um momento em que o custo de planos de saúde patrocinados por empregadores tem subido. Pesquisas de mercado indicam que, mesmo com medidas de contenção, o custo por trabalhador deve aumentar, pressionando empregadores a revisar pacotes de benefícios. Dados de 2025 apontaram alta prevista de 6,5% em 2026, com projeções maiores sem cortes de custos.
Analistas e acadêmicos ressaltam que cortes seletivos de benefícios geram impactos diferenciados entre funções dentro das mesmas empresas. Em especial, mudanças na licença parental para mães e a limitação de planos de saúde são citadas como sinal de ajuste financeiro em ambientes de trabalho com alta competitividade por talentos.
Alguns especialistas defendem que o problema estrutural está na política de assistência à saúde nos Estados Unidos, que não oferece licença parental federal paga. A ausência de uma rede pública robusta aumenta a dependência de benefícios oferecidos pelas empresas e, diante de pressões financeiras, leva a mudanças mais restritivas.
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