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Especialista da CAMARB analisa pouca adoção de arbitragem no agronegócio

Especialista da CAMARB afirma que, mesmo com alta de recuperações no agronegócio, adesão à arbitragem e mediação é baixa, mas pode acelerar soluções e manter vínculos

Hugo Tubone Yamashita, integrante do Comitê de M&A e Reestruturação de Empresas da CAMARB.
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  • Em 2025, o volume de pedidos de recuperação judicial no agronegócio atingiu quase 2 mil, o maior patamar da série histórica, segundo a Serasa Experian.
  • Apesar do contexto, a adoção de arbitragem e mediação no setor continua baixa, dizem especialistas da CAMARB, que defendem o uso estratégico desses mecanismos.
  • A mediação é destacada pela possibilidade de construir consensos sem romper vínculos comerciais, o que é crucial em cadeias produtivas longas e interdependentes.
  • A arbitragem vem ganhando espaço em disputas mais complexas, como contratos estruturados, financiamentos, insumos e exportação, oferecendo maior previsibilidade jurídica.
  • Com juros elevados e desafios na gestão financeira, especialistas ressaltam que o uso de métodos alternativos tende a crescer para manter a continuidade operacional e a reorganização financeira no campo.

O atraso na recuperação judicial no Brasil intensifica a necessidade de resolver conflitos com mais rapidez. Especialistas apontam que mecanismos de resolução, como arbitragem e mediação, podem acelerar soluções e preservar relações comerciais no agronegócio, setor que sustenta grande parte da economia.

Em meio a juros elevados, custos de produção crescentes e exposição a variáveis externas, produtores, credores e investidores buscam meios de destravar disputas. O cenário de recuperação judicial no agronegócio atingiu, em 2025, o maior volume já registrado, com quase 2 mil solicitações segundo a Serasa Experian.

No âmbito da CAMARB, Hugo Tubone Yamashita, do Comitê de M&A e Reestruturação de Empresas, ressalta que a adesão a esses métodos não deve ser pontual, mas estratégica. Ele destaca que arbitragem e mediação oferecem rapidez, sigilo e menor desgaste, fatores decisivos para continuidade operacional no campo.

Contexto do agronegócio e uso de mediação

A mediação tem se mostrado útil para construir consensos sem romper vínculos comerciais. Em cadeias produtivas longas, manter relação com fornecedores, tradings e instituições financeiras é essencial, especialmente para renegociar dívidas sem perder parcerias.

Segundo Yamashita, a mediação facilita ajustes contratuais mantendo o relacionamento com financiadores e viabilizadores da produção. Em casos de renegociação, essa ferramenta pode agilizar acordos sem prejudicar a operação.

Arbitragem como alternativa em contratos complexos

A arbitragem vem ganhando espaço em controvérsias mais sofisticadas, envolvendo contratos estruturados, financiamentos e exportação. Em disputas desse tipo, a decisão técnica e mais previsível pode reduzir incertezas durante períodos de instabilidade econômica.

Para o especialista, a prática proporciona maior segurança jurídica em contratos complexos, contribuindo para a previsibilidade dos negócios no setor.

Desafios financeiros e impactos externos

Entre os fatores que elevam a demanda por soluções rápidas estão o encarecimento do crédito e a gestão financeira insuficiente em parte das empresas rurais. O agronegócio é tecnológico na produção, mas enfrenta desafios na gestão de fluxo de caixa e de riscos.

O endividamento pós-pandemia agrava a situação para produtores que tomaram crédito em condições mais favoráveis. O aumento do custo da dívida pressiona margens e o cumprimento de parcelas.

O cenário também está sujeito a oscilações globais. Tensões geopolíticas podem afetar preços de insumos como fertilizantes e combustíveis, elevando custos logísticos e de produção, o que reforça a necessidade de renegociação de contratos.

Panorama futuro

Especialistas indicam que o uso de arbitragem e mediação tende a crescer com juros persistentes e maior pressão sobre o caixa. Esses mecanismos são vistos como instrumentos para reorganização financeira, preservação de ativos e continuidade operacional no campo.

A expectativa é de que a adoção de tais métodos se torne mais estratégica no agronegócio, contribuindo para maior eficiência na resolução de disputas e sustentabilidade do ambiente empresarial.

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