- Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Gávea Investimentos, disse que o Brasil vive um momento “para lá de preocupante” e vê crise institucional no país.
- Ele afirmou que, desde o Plano Real em pleno vapor, a taxa média de crescimento per capita foi de 1,3%, e que o país, apesar de ter espaço para crescer, não tem aproveitado esse potencial.
- Fraga disse que o Brasil pode crescer até três vezes mais rápido por duas décadas se enfrentar gargalos políticos e institucionais e organizar prioridades.
- Ele destacou a importância de ter um “Estado bom” e apontou desafios políticos, institucionais e o peso do gasto previdenciário, dizendo que a Previdência, da forma como está, é inviável.
- Sobre a política monetária, criticou a falta de coordenação com outras frentes, chamando-a de “esquizofrênica”, e defendeu um ajuste fiscal mais amplo para reorientar as prioridades do governo.
Armínio Fraga afirmou nesta sexta-feira, 15, em Rio de Janeiro, que o Brasil enfrenta um momento “precisamente preocupante” e descrito o cenário atual como institucionalmente desafiador. O ex-presidente do BC e sócio-fundador da Gávea Investimentos participou de um evento do RenovaBR, escola de formação política.
Segundo ele, desde o auge do Plano Real, o crescimento per capita ficou em 1,3% em média, ano após ano, resultando em um desempenho abaixo de economias maduras. O ex-presidente do BC avaliou que o País tem espaço para crescer mais, desde que vençam gargalos políticos e organizem prioridades.
Fraga afirmou que não existe país que se desenvolva sem um Estado funcional. Ele apontou um contexto internacional desfavorável e destacou problemas na arena política institucional, assim como uma suposta captura do Estado por grupos de interesse.
Potencial de crescimento
O ex-presidente do BC disse acreditar que o Brasil pode crescer até três vezes mais rápido por cerca de duas décadas, caso haja ajuste de prioridades e superação de bloqueios internos. Para ele, a solução passa por reformas que tornem o gasto público mais sustentável, especialmente na Previdência.
Ele ressaltou a necessidade de um ajuste fiscal que permita reduzir a tributação do capital sem ampliar encargos, mantendo o foco em segurança pública e integridade institucional. Também citou a importância de um ambiente institucional estável para atrair investimentos.
Desafios internos e monetários
Fraga apontou que o Estado brasileiro enfrenta um grave problema de prioridades, com a despesa previdenciária em estado inviável. Sobre a política monetária, criticou a falta de coordenação com outras frentes da economia, descrevendo o cenário como uma “política esquizofrênica” por causa da ausência de alinhamento macroeconômico.
Ele mencionou que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, atua diante de circunstâncias muito adversas, com um desenho institucional de independência operacional que perde força sem coordenação adequada. O economista reforçou a necessidade de aprofundar reformas para reduzir incertezas.
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