- O setor de defesa brasileiro vive boom, com gastos militares nacionais aumentando 13% em 2025 e as exportações atingindo recorde de US$ 3,1 bilhões no mesmo ano.
- Investidores, incluindo o empresário Joesley Batista, investiram cerca de R$ 300 milhões na Avibrás para retomar a produção de mísseis e foguetes.
- A Avibrás retomou atividades na fábrica de São José dos Campos, SP, que passou a se chamar Avibrás Aeroco após a recuperação judicial iniciada em 2022.
- Embraer anunciou o maior pedido internacional já feito por um único país para o C-390 Millennium, com os Emirados Árabes Unidos, fortalecendo as exportações brasileiras.
- A Avibrás faz parte da Base Industrial de Defesa, que comercializa para 140 países e representa cerca de 3,5% do PIB, com quase 3 milhões de empregos diretos e indiretos.
Com conflitos globais acentuando gastos militares, o Brasil vive um momento de aquecimento no setor de defesa. O país registra aumento expressivo nas exportações e identificação de grandes aportes no mercado, inclusive com participação de investidores privados.
A Avibrás, controladora de sistemas de defesa e do setor aeroespacial, retomou atividades na fábrica de São José dos Campos (SP) após recuperação judicial. Em meio a uma crise que incluiu greve de quase quatro mil dias, a empresa recebeu aporte de cerca de R$ 300 milhões de investidores, entre eles Joesley Batista.
O investimento faz parte de uma retomada de produção de mísseis e foguetes na Avibrás, que passa por reestruturação. A empresa não comentou o assunto quando procurada pela reportagem. A aposta ocorre em meio a um mercado externo com demanda robusta por armamentos.
Paralelamente, a Embraer assinou, recentemente, o maior pedido internacional já feito por um único país para o cargueiro C-390 Millennium, com os Emirados Árabes. A companhia reforça o papel brasileiro na exportação de aeronaves de defesa, ampliando a presença global.
Dados internacionais indicam expansão dos gastos militares. O SIPRI aponta alta de 2,9% nos gastos globais em 2025, para US$ 2,887 trilhões, o sexto registro consecutivo de crescimento. O Brasil lidera os investimentos na América do Sul, com US$ 23,9 bilhões em 2025, crescimento de 13%.
A Base Industrial de Defesa brasileira (BID) envolve empresas estatais e privadas, exportando para 140 países com 80 empresas exportadoras. O setor representa cerca de 3,5% do PIB e gera perto de 3 milhões de empregos diretos e indiretos.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que a demanda internacional tende a permanecer aquecida. A visão é de que conflitos regionais, especialmente na Europa e no Oriente Médio, mantêm a necessidade de armas e tecnologia militar. O Brasil, por sua vez, é visto como fornecedor estratégico e relativamente menos alinhado em termos de bloqueios comerciais.
Entre as empresas nacionais, a CBC figura como líder global de munição, com atuação nos EUA e na Europa, além de ser fornecedora para países da Otan. O país investe na produção de itens de maior complexidade desde o início dos anos 2000, com projetos como o C-390 e a fragata Tamandaré, citados como potenciais símbolos de exportação.
Especialistas ressaltam preocupações éticas sobre destinos de armamentos. Países autocráticos, regiões instáveis e mercados clandestinos costumam figurar entre os compradores, o que aumenta a atenção de autoridades e reguladores. A CBC afirma possuir código de conduta para terceiros e exige autorizações oficiais para exportações.
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