- O USDT é uma stablecoin lastreada ao dólar, com paridade 1 para 1, amplamente usada em exchanges, pagamentos e transferências no ecossistema cripto.
- Lançado em 2014 pela empresa Tether, foi criado para facilitar o uso de dólares em ambientes digitais com menor fricção.
- Hoje é um dos pilares de liquidez da indústria, atuando como principal par de negociação e base de liquidez em DeFi e em operações no mercado cripto.
- No Brasil, o USDT registrou crescimento rápido: de volumes inferiores a R$ 500 milhões em 2019 para patamares acima de R$ 30 bilhões por mês em 2025, com picos próximos de R$ 34 bilhões em 2025.
- Em Nova York, houve acordo em 2021 entre a Procuradoria-Geral e a Tether/Bitfinex, com multas e exigência de relatórios de reservas; o CEO Paolo Ardoino afirma que as reservas hoje superam o total de tokens emitidos.
O USDT é uma stablecoin atrelada ao dólar, criada para levar a estabilidade da moeda norte-americana ao ambiente blockchain. Cada token mantém paridade 1:1 com o dólar, funcionando como um “dólar digital” usado em exchanges, pagamentos e transferências no ecossistema cripto.
Lançado em 2014 pela Tether, o USDT surgiu para facilitar transações globais com menos fricção que o sistema bancário tradicional. Hoje, a stablecoin aparece como um dos pilares de liquidez da indústria cripto em escala mundial.
Na prática, o USDT deixou de ser apenas apoio ao mercado cripto e se tornou uma referência de liquidez. Em exchanges, ele é o principal par de negociação e a base para entrar e sair de outras criptomoedas, reduzindo a volatilidade de operações.
A infraestrutura multichain
O USDT opera em várias redes, ampliando seu alcance. Hoje, as maiores reservas circulam em Ethereum e Tron, seguidas por Solana, TON e Avalanche. A distribuição multichain facilita o uso em diferentes camadas da infraestrutura cripto.
Essa estratégia transformou o USDT em uma camada global de liquidez, funcionando como ponte entre ecossistemas distintos e facilitando transferências entre plataformas diferentes.
O crescimento no Brasil
No Brasil, o USDT teve crescimento acelerado. Dados da Receita Federal mostram salto de volumes mensais de menos de R$ 500 milhões em 2019 para mais de R$ 30 bilhões por mês em 2025.
O marco começou em 2020, quando a demanda por dólar digital aumentou. O volume mensal passou a ficar acima de R$ 1 bilhão e, ao longo de 2021 e 2022, o ativo disputou o protagonismo com o Bitcoin no mercado brasileiro.
Entre 2023 e 2025, os volumes chegaram a patamares superiores a R$ 20 bilhões mensais, com picos próximos de R$ 34 bilhões. O crescimento total supera 40.000% entre 2019 e 2025, segundo dados oficiais.
Quando o USDT ultrapassou o Bitcoin
Até 2020, o Bitcoin liderava os volumes no Brasil. Em novembro daquele ano, o USDT movimentou US$ 831 milhões contra US$ 752 milhões do BTC. Em 2021, houve alternância na liderança, mas a virada ocorreu em outubro, com o USDT assumindo a dianteira. A partir de então, a stablecoin consolidou a hegemonia no fluxo financeiro brasileiro, com o USDT registrando dezenas de bilhões de reais em movimentação mensal.
Em outubro de 2025, o USDT operava com aproximadamente R$ 30,83 bilhões em transações, enquanto o Bitcoin ficava em patamares bem menores, evidenciando a dominância do token no mercado nacional.
Problema judicial em NY
Um marco regulatório ocorreu em Nova York, envolvendo questionamentos sobre transparência de reservas. Em 2021, a Procuradoria-Geral de Nova York anunciou um acordo com a Tether e a Bitfinex, visando encerrar a disputa. As empresas foram multadas e proibidas de operar no estado, além de serem obrigadas a publicar relatórios trimestrais sobre reservas.
A Tether disse que o caso foi encerrado e passou a divulgar relatórios periódicos de reservas. O episódio é lembrado como um marco de desconfiança regulatória sobre o modelo de lastro da stablecoin.
Entrevista com o CEO da Tether
O CEO da Tether, Paolo Ardoino, afirma que o período de maior desconfiança já ficou para trás e que as reservas superam o total de tokens emitidos. Em entrevista em 2023, ele disse que o USDT está hoje 104% lastreado, com reservas adicionais para suportar resgates.
Ardoino cita resgates relevantes: em maio de 2022, foram resgatados US$ 7 bilhões em 48 horas, correspondentes a 10% das reservas, e mais de US$ 20 bilhões em 20 dias, representando 25% das reservas. Ele ressalta que a capacidade de honrar grandes saques reforça a liquidez frente ao sistema bancário tradicional.
O executivo reconhece falhas passadas, mas afirma que a empresa amadureceu. Segundo ele, a Tether passou por crises sem deixá-la à beira da falência, o que, para ele, reforça a posição do USDT como pilar de liquidez no mercado global.
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