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Everest 2026: turismo de alto padrão chega ao topo com crampons

Everest 2026 se torna destino de luxo, com pacotes de até US$ 1 milhão; acesso depende de sherpas, infraestrutura e altos custos que elevam riscos e exclusividade

Murilo Vargas cruza fenda de mais de 30 metros de profundidade na cascata de gelo de Khumbu, cruzamento inicial do acampamento-base do Everest em direção ao acampamento 1, início da escalada rumo ao cume, a 8.848 metros de altitude
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  • Na madrugada desta terça-feira (12), foram instaladas as últimas cordas para acesso ao cume do Everest, abrindo a passagem com mais segurança após três semanas de atrasos e blocos de gelo.
  • A operação foi conduzida por uma equipe de catorze sherpas, que chegaram ao topo, a oito mil oitocentos e quarenta e oito metros de altitude, na fronteira entre o Nepal e o Tibete.
  • O custo da tentativa varia bastante: a maioria paga entre US$ 35 mil e US$ 75 mil, mas há quem desembolque até US$ 1 milhão.
  • O nível de conforto varia: há barracas simples até estruturas com camas elevadas, cozinhas com chefs, oxigênio ilimitado e dois sherpas particulares para os escaladores mais ricos.
  • Resgates por helicóptero só são possíveis até o acampamento 2; acima disso, não é viável, o que explica por que há centenas de corpos congelados nas partes mais altas.

Na madrugada desta terça-feira (12), as últimas cordas foram instaladas no acesso ao cume do Everest, a 8.848 metros de altitude, na fronteira Nepal-Tibete. A liberação ocorreu após três semanas de atrasos, dúvidas e riscos com blocos de gelo na rota, permitindo o que muitos chamam de acesso “um pouco” mais seguro ao topo.

A operação foi conduzida por uma equipe de 14 sherpas, trabalhadores de altitude que asseguram a infraestrutura necessária para a escalada. O lançamento chega num momento em que o Everest se tornou destino de luxo para parte dos montanhistas, com contratos e serviços que variam em nível de conforto e preço.

A temporada deste ano registrou expectativa de maior demanda, com 492 licenças concedidas pelo governo do Nepal para o acampamento-base. A Folha conversou com o cinegrafista Murilo Vargas, que mantém perspectiva de documentar a vida dos trabalhadores de alta montanha e faz levantamento de custos da temporada.

Segundo Vargas, a maioria dos escaladores paga entre US$ 35 mil e US$ 75 mil pela tentativa, incluindo autorização governamental. Já há casos de pacotes que chegam a US$ 200 mil e até US$ 1 milhão, com opções de barracas, alimentação, oxigênio extra e suporte de sherpa.

Barracas variam bastante: há opções simples para quem usa saco de dormir e isolante, até unidades com camas elevadas, aquecedores e banheiros privativos. Além disso, a turma de alto padrão pode contar com chefs renomados preparando refeições especiais, enquanto outros dependem de cozinheiros locais.

A logística envolve oxigênio e apoio de sherpas, que costumam carregar até 25 quilos de carga por escalador, incluindo cilindros de oxigênio. Um reservatório extra é mantido como backup, necessário em função da redução de oxigênio acima dos 8.000 metros.

A temporada passada marcou avanços tecnológicos com uso de gás xenônio, hipoxia simulada e oxigênio abundante, segundo Vargas. Esses recursos costumam reduzir o tempo de subida, mas implicam custo elevado, refletindo a busca por eficiência na zona da morte.

Além das peças e serviços, o Everest oferece opções de assistência diferenciadas. Pacotes de luxo incluem dois sherpas particulares, deslocamento e resgate por helicóptero, embora os resgates só ocorram até o acampamento 2, a 6.500 metros. Acima disso, a aeronave não consegue operar com segurança no ar rarefeito.

A presença de muitos montanhistas, combinada a elevado custo e riscos, alimenta a circulação de histórias sobre a chamada “altura proibida” e os corpos que permanecem nas encostas. A montanha continua a exigir planejamento rigoroso, condições climáticas estáveis e preparo físico extremo dos escaladores.

O custo total de uma expedição varia amplamente. Entre os itens listados pela temporada, aparecem passagem aérea, equipamento específico, licença para cume, taxas ambientais, seguros, direito de operar drones e bônus para sherpas. Em pacotes completos de expedição com suporte, os preços podem alcançar valores entre US$ 50 mil e US$ 120 mil para iniciantes, chegando a US$ 200 mil a US$ 1 milhão em opções de mordomias.

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