- A Meta começou a preparar a integração de stablecoins em Facebook, Instagram e WhatsApp por meio da Stripe, com lançamento esperado para o segundo semestre de dois mil e vinte e seis.
- A Sony Bank está desenvolvendo uma stablecoin em dólar para pagamentos na PlayStation Store, Crunchyroll e serviços da Sony, com estreia prevista para dois mil e vinte e seis, buscando reduzir taxas.
- Doze bancos europeus formaram o consórcio Qivalis para emitir uma stablecoin em euro sob o regime MiCA, usando a Fireblocks como infraestrutura.
- Nos Estados Unidos, a Anchorage Digital disse ter cerca de vinte instituições na fila para emitir suas próprias stablecoins, com impacto recente em parcerias de emissão, incluindo uso de USD Coin pela Wealthsimple no Canadá.
- A Visa registrou US$ 4,6 bilhões anuais em settlement com stablecoins, e o Senado dos EUA avança na discussão sobre a CLARITY Act para classificar ativos digitais.
Nos últimos 15 dias, três frentes do sistema financeiro global avancaram paralelamente, sinalizando a direção do futuro dos pagamentos com stablecoins. Meta, Sony e Visa conduziram movimentos que envolvem usuários, canais de pagamento e licenças para operar, em diferentes regiões. A convergência aponta para a distribuição como elemento definidor do mercado.
A Meta intensificou a busca por integrar stablecoins em Facebook, Instagram e WhatsApp, com uso previsto por meio de parceiros de infraestrutura cripto. A iniciativa mira pagamentos entre creators em transações de até US$ 100, com operação provável a partir de 2026. O modelo não prevê emissão de token próprio pela empresa.
A Sony também avança com uma stablecoin em dólar para a PlayStation Store, Crunchyroll e serviços de entretenimento, programada para 2026. O objetivo é reduzir custos de transação nas compras digitais, mantendo a convivência com cartões tradicionais. A base de usuários da Sony é expressiva, com mais de 110 milhões de membros ativos mensais no ecossistema PlayStation.
Movimentos europeus e norte-americanos
Doze grandes bancos europeus formaram o consórcio Qivalis para emitir uma stablecoin em euro, sob o regime MiCA, com a Fireblocks fornecendo infraestrutura. O objetivo é apresentar uma resposta europeia ao domínio do dólar digital. Na prática, o mercado de stablecoins em euro é hoje minoritário frente ao uso em dólar.
Nos Estados Unidos, cerca de duas dezenas de instituições financeiras e grandes empresas de tecnologia estariam em fila na Anchorage Digital para emitir suas próprias stablecoins. A operação ocorre em meio ao GENIUS Act, com a Western Union já lançando USDPT na Solana para settlement 24/7 em dezenas de países.
Dados recentes
Um estudo da Fireblocks, com base em 295 executivos, indica que 49% das instituições já utilizam stablecoins em pagamentos, 90% atuam de alguma forma e 54% das que ainda não usam pretendem adotar em seis a doze meses. Pagamentos cross-border continuam liderando, com 58% de adoção entre bancos tradicionais.
A Visa informou um run rate anualizado de US$ 7 bilhões em settlement com stablecoins, com mais de 130 programas de emissão de cartões em 40 países. Em Canadá, piloto com Wealthsimple usou USDC para liquidar transações de cartão que antes levariam dias.
Perspectivas regulatórias e de mercado
A Juniper Research projeta US$ 5 trilhões em pagamentos B2B cross-border com stablecoins até 2035, partindo de US$ 13,4 bilhões em 2026. O ganho deve-se principalmente a fluxos corporativos, não varejo. Nos EUA, o Senado debate a CLARITY Act para classificar ativos digitais e definir jurisdição entre SEC e CFTC.
Paralelamente, o Tether anunciou o congelamento coordenado com o OFAC de US$ 344 milhões em USDT ligados ao regime iraniano, marcando a maior ação de enforcement da empresa. A operação envolve cooperação com mais de 340 agências de law enforcement em 65 países.
Implicações para o ecossistema brasileiro
Para empresas brasileiras que operam pagamentos internacionais, o momento impõe perguntas sobre fluxo de caixa, com settlement reduzido para minutos em vez de dias. O ritmo da construção de infraestrutura por bancos, redes de pagamento e grandes plataformas tende a moldar o custo e a velocidade de transações globais.
O movimento de distribuição que já se observa em nível global pode influenciar o cenário local, com regulações já avançadas no Brasil e um setor de pagamentos digitais relativamente maduro. O compartilhamento de canais e licenças passa a ser fator crítico para quem pretende competir nesse espaço.
Sobre o autor
Caio Barbosa é fundador e co-CEO da Lumx, empresa brasileira de infraestrutura blockchain voltada a soluções de pagamento com uso de stablecoins. Foi eleito Forbes Under 30 em 2022 e integra programas de apoio a empreendedores da América Latina.
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