- Investidores passaram a exigir retorno maior em debêntures e outros títulos de renda fixa emitidos por empresas, elevando os prêmios em relação aos títulos públicos.
- Spreads de debentures AAA subiram about 7,5% em 2026; para AA chegaram a 17,4% e para A, até 59%, segundo a gestora AMW.
- Recuperações extrajudiciais de Raízen e GPA, além do Grupo Toky, e juros elevados ajudam a explicar a aversão ao risco no mercado.
- Aegea registrou baixa contábil de 5 bilhões em abril e Hapvida passou por mudanças de comando e demandas de investidores ativistas, com reestruturação em curso.
- Nos ativos, descontos continuam altos: debênture da Aegea a 890,90 reais (face a 1.055,37) em 10 de abril; Hapvida a 760,60 reais para 2032; Raízen chegou a 59% de desconto após recuperação extrajudicial.
O mercado de crédito privado vive momento de maior aversão ao risco. Investidores passaram a exigir retornos mais elevados de debêntures e outros títulos, após recuperações extrajudiciais de Raízen, GPA e Grupo Toky, aliados a juros elevados e tensões internacionais. O movimento pressiona ganhos dos papéis no mercado secundário.
Segundo levantamento da AMW, os spreads de debêntures de empresas com rating AAA subiram 7,5% neste ano. Empresas AA têm alta de 17,4% e as classificadas como A registram crescimento de até 59%. O cenário reflete maior prêmio exigido pelos investidores.
Cenário de juros e inflação
A alta de spreads também acompanha o ambiente de juros elevados, com a Selic em 14,5% ao ano e o IPCA em torno de 4,39% no acumulado do ano, o que favorece títulos públicos atrelados à inflação em detrimento de parte do crédito privado.
O conflito entre Irã e tensões no estreito de Hormuz elevam o preço do petróleo, contribuindo para o temor de inflação global. Nesse contexto, títulos atrelados ao IPCA continuam oferecendo juros reais acima de 7%, segundo analistas.
Empresas envolvidas
Raízen e GPA solicitaram recuperações extrajudiciais para renegociar dívidas, enquanto o Grupo Toky ingressou com pedido de recuperação judicial, dono das marcas Tok&Stok e Mobly. Gestores apontam que esse conjunto aumenta a percepção de risco entre credores.
Observadores destacam que a Raízen foi o principal caso, levando a uma perda de qualidade de crédito de ativos considerados de alta segurança. Investidores de renda fixa, inclusive pessoas físicas, passam a reagir com maior cautela.
Desempenho de ativos específicos
Aegea e Hapvida registraram altas de prêmios no mercado secundário em abril de 2026. A Aegea revisou perdas de crédito e investimentos, anunciando baixa contábil de R$ 5 bilhões. A Hapvida passou por mudanças no comando e recebeu cobranças de investidores.
Dados da Anbima mostram quedas de preço em debêntures com vencimentos mais longos. Uma debênture da Aegea para 2035 caiu para cerca de R$ 891, ante face de R$ 1.055, com deságio próximo de 15%. Desconto foi revisado ao redor de 14% mais recentemente.
Outros ativos e deságios
Entre CRAs, a Braskem mostrou maior desvalorização após anúncio de mudanças societárias, com deságio que chegou a 64% no fim de março. Um CRA da Raízen com vencimento em 2029 já havia registrado desconto de até 59% após a recuperação extrajudicial anunciada.
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