- Grupo de ex-funcionários de Wall Street, próximo à Casa Branca, atua para criar uma fonte independente de terras raras e ímãs, buscando reduzir o domínio da China nesse setor.
- A estratégia envolve aquisições, parcerias e financiamentos, incluindo a mineradora brasileira Serra Verde, vendida à USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.
- A Unidade de Defesa Econômica (EDU) do Pentágono lidera a operação, com até US$ 200 bilhões em capacidade de financiamento para os próximos três anos, mirando cadeias de suprimento críticas e setores como cabos de dados e químicos para medicamentos.
- Críticos apontam conflitos de interesse e etapas de avaliação, enquanto o governo afirma manter imparcialidade e rigor nos parceiros e contratos.
- A meta é aumentar a produção doméstica até o final da década, com planos de fabricar ímãs suficientes para atender metade da demanda mundial até 2030; a China respondia por cerca de 94% da produção em 2024.
O Pentágono prepara uma estratégia para reduzir a dependência de minerais críticos da China, incluindo terras raras e ímãs usados em várias indústrias. O foco é criar fontes independentes de suprimento e evitar repetir conflitos comerciais do ano passado, quando Trump recuou diante de cortes chineses de fornecimento.
Um grupo de ex-funcionários do setor financeiro trabalha próximo à Casa Branca para viabilizar negócios com bilhões de dólares em participações acionárias, contratos de longo prazo e financiamentos. A ideia é acelerar acordos que ampliem a produção norte-americana de materiais estratégicos.
A iniciativa, chamada internamente de Unidade de Defesa Econômica, está ligada a várias frentes dentro do Departamento de Defesa, do Comércio e de instituições de fomento. A meta é fortalecer a cadeia de suprimentos sem depender de importações chinesas.
Estrutura e objetivos da ofensiva econômica
A equipe busca apoiar produtores de ímãs e terras raras, inclusive envolvendo uma mineradora brasileira. O negócio Serra Verde, vendida para a empresa americana USA Rare Earth, é citado como exemplo de movimento estratégico no setor.
Segundo fontes próximas, o governo pressiona grandes montadoras a firmarem contratos de compra, mesmo antes de haver produção em escala. O objetivo é criar demanda estável para novas plantas e reduzir gargalos de suprimento.
Analistas ponderam riscos de pressa na assinatura de acordos sem histórico robusto. Críticos apontam possíveis conflitos de interesse e a necessidade de maior transparência em investimentos com participação governamental.
Ponto de vista do governo e controvérsias
O Pentágono nega favorecimento indevido e afirma manter imparcialidade, com avaliação rigorosa de parcerias e capacidades anunciadas. Em defesa, o porta-voz ressalta que o foco é atender necessidades diretas do combatente e da indústria.
Economistas destacam que a produção americana de terras raras pode aumentar apenas no longo prazo. A China ainda respondia por grande parte da oferta global em 2024, segundo dados da Agência Internacional de Energia.
Críticos do setor de private equity alertam sobre interesses cruzados com empresas privadas ligadas a atores políticos. O governo sustenta que as ações são voltadas para fortalecer a base industrial e reduzir vulnerabilidades da cadeia de suprimentos.
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