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Salim Mattar transforma trajetória pessoal em defesa do liberalismo

Empresário da Localiza molda o liberalismo no Brasil, expandindo privatizações e educação de jovens para disseminar a ideia

Salim Mattar, fundador da Localiza e ícone do pensamento liberal no país. (Foto: Divulgação)
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  • Salim Mattar é empresário ligado ao liberalismo e líder da Localiza, uma das maiores empresas de mobilidade da América Latina, com atuação internacional.
  • Ele defende que o desenvolvimento brasileiro depende da liberdade para empreender e criou o Instituto Liberal e o Instituto para Formação de Líderes (IFL).
  • A Localiza nasceu de uma aposta ousada aos 17 anos, com seis fuscas usados, em contexto de crise petrolífera, expandindo-se até se tornar líder nacional em capitais e hoje com expressão internacional.
  • Em 2019, Mattar viu a privatização como caminho, assumiu a Secretaria de Desestatização e criticou a máquina pública, defendendo menor tamanho do Estado e mais liberdade econômica.
  • Após sair do governo em 2020, passou a investir em ideias: apoiou institutos liberais, a tradução de obras e projetos de educação e formação de jovens para difundir o liberalismo no Brasil.

Salim Mattar ficou conhecido no Brasil como empreendedor que transformou a Localiza na maior empresa de aluguel de carros do país e, ao longo da carreira, consolidou uma visão liberal como atribuição de políticas públicas e de educação. Hoje atua na difusão de ideias liberais por meio de institutos voltados à formação de lideranças e à disseminação de conceitos de livre mercado.

Sua trajetória combina prática empresarial e formação intelectual. Filho de comerciante, cresceu em Belo Horizonte e, ainda no ensino médio, teve contato com obras que moldaram sua visão de mundo, entre elas livros de economia e liberalismo. Aos 16 e 17 anos, o interesse por Adam Smith e Hayek ajudou a moldar sua convicção de que a liberdade econômica impulsiona o desenvolvimento.

Formação da Localiza e ascensão no setor

A ideia de criar uma locadora surgiu aos 17 anos, após perceber o potencial de retorno de uma operação simples de aluguel de veículos. Em um contexto desafiador, com choque no preço do petróleo, Mattar iniciou a empresa com seis Fuscas usados e apoio apenas de um sócio. O negócio cresceu com expansão gradual para outras capitais.

Em 1981 a Localiza já era líder nacional, presente em 11 capitais, sem atuação ainda em São Paulo e no Rio de Janeiro. A estratégia de crescer onde havia menor concorrência permitiu ganho de escala e sustentação para novas aquisições. Ao longo dos anos, a empresa diversificou operações, incluindo a criação de uma divisão de seminovos que reduziu custos com intermediários.

O salto ocorreu a partir de decisões de capital. Em 1997, um aporte externo de US$ 50 milhões foi fechado após avaliação cuidadosa de ativos de longo prazo da empresa. Em 2005, a Localiza abriu o capital e ampliou a atuação internacional com a aquisição da operação brasileira da Hertz, fortalecendo presença e diversificação.

Desestatização, governo e críticas ao leviatã burocrático

Em 2019 Mattar ocupou a Secretaria de Desestatização, sob o governo de Jair Bolsonaro, com a meta de privatizar dezenas de estatais e realizar desinvestimentos relevantes. O objetivo era reduzir o tamanho do Estado e ampliar a participação do setor privado na economia, segundo relatos da época.

A experiência no serviço público reforçou críticas ao aparato estatal, especialmente em relação à sobreposição de órgãos e à dificuldade de avançar em privatizações de grandes empresas públicas. O ex-secretário reiterou defesa pela privatização de companhias como a Petrobras, apontando caminhos de maior liberdade econômica.

Do governo à defesa de ideias

Após deixar o cargo em 2020, Mattar voltou-se para o campo das ideias, acreditando no impacto de reformas por meio da educação e da formação de jovens. Em seus relatos, o incentivo a instituições liberais ganhou destaque, com participação em iniciativas que traduzem e difundem textos clássicos do liberalismo.

A atuação atual envolve apoiar projetos de educação econômica e lideranças, semelhante ao formato de institutos voltados a conteúdos de liberalismo económico e políticas públicas. A aposta é de que mudanças estruturais virão por meio da cultura e da formação de jovens, preparando futuras lideranças para transformar o Brasil.

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