- O 4º Congresso Abramilho, em Brasília, reuniu autoridades, produtores e especialistas para discutir milho e sorgo como cadeias estratégicas para segurança alimentar, bioenergia e soberania econômica do Brasil.
- O painel de abertura sinalizou esgotamento do atual modelo de financiamento rural, com juros altos, endividamento e custos elevados, defendendo mudanças no Plano Safra e instrumentos como fundo garantidor para ampliar acesso a crédito.
- A senadora Tereza Cristina advertiu sobre uma “tempestade perfeita” para o agro, defendendo seguro rural e políticas de apoio mais robustas; o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, criticou o modelo do Plano Safra e pediu planejamento plurianual.
- Geopolítica e comércio internacionais pautaram preocupações com exigências de mercados, especialmente europeus, e a necessidade de diversificar destinos de exportação.
- Milho e sorgo foram apresentados como ativos estratégicos, com foco em etanol de milho, biotecnologia, inovação e redução de dependência de fertilizantes, fortalecendo a posição do setor na matriz energética e econômica.
O 4º Congresso Abramilho ocorreu em Brasília, no Unique Palace, na terça-feira (13). O encontro reuniu autoridades, parlamentares, produtores e especialistas para discutir o papel do milho e do sorgo em meio a pressões econômicas, geopolíticas e regulatórias.
Sob o tema Milho: o grão que revoluciona o mundo, o evento mostrou o cereal como peça-chave em segurança alimentar, bioenergia, inovação e políticas públicas. A grade incluiu debates sobre crédito rural, comércio exterior e soberania econômica.
Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, afirmou que o setor vive um momento decisivo, com potencial de expansão, porém com custos elevados e dificuldades de financiamento. A entidade busca caminhos para enfrentar desafios estruturais.
Crédito rural e Plano Safra
O painel de abertura contou com Geraldo Alckmin, André de Paula e líderes da FPA. Houve consenso sobre a necessidade de modernizar o financiamento rural diante de juros altos e endividamento crescente.
Alckmin destacou entraves de acesso a crédito e citou fundos garantidores como alternativa. Ele ressaltou o papel do milho na matriz energética, com avanço do etanol de milho.
André de Paula garantiu apoio institucional às pautas do setor, afirmando defender as propostas junto ao governo. A frente parlamentar reforçou a necessidade de um planejamento de longo prazo para o setor.
Desafios e perspectiva de governança
Tereza Cristina descreveu o cenário como uma “tempestade perfeita” para o agro, citando conflitos internacionais, custos elevados e gargalos logísticos. Ela defendeu amplições no seguro rural como parte da política de apoio.
Pedro Lupion criticou o modelo atual do Plano Safra e pediu um planejamento plurianual, inspirado na Farm Bill dos EUA, para previsibilidade do produtor.
Geopolítica e mercados internacionais
Grace Tanno, do Itamaraty, lembrou que o Brasil é competitivo, o que atrai pressão regulatória externa. Luís Rua enfatizou a busca por novos destinos de exportação para milho.
Embaixador Zhu Tiingqiao, da China, destacou a relação estratégica entre os dois países para ciência, biotecnologia e produtividade, reforçando a importância de mercados asiáticos.
Tecnologia, biotecnologia e fertilizantes
Painéis técnicos apontaram a expansão de investimentos em genética, biotecnologia e soluções nacionais para reduzir dependência de fertilizantes importados. A biotecnologia é vista como fator de redução de custos e aumento de produtividade.
O país já figura como segundo maior adotante mundial de biotecnologia agrícola, com ganhos em segurança alimentar e soberania tecnológica.
Etanol de milho, sorgo e novas fronteiras
Paulo Bertolini destacou a industrialização do milho via etanol como mudança estrutural no agro. O sorgo foi apresentado como alternativa resiliente, com menor risco de perder a janela de plantio e menor custo.
A integração entre milho, sorgo, bioenergia e proteína animal foi apresentada como motor de crescimento nacional, ampliando horizontes na fronteira econômica.
Milho, sorgo e soberania
Ao longo do congresso, ficou evidente a consolidação de milho e sorgo como ativos estratégicos para segurança alimentar, energética e econômica do Brasil, mesmo diante de protecionismo, guerras comerciais e regulação ambiental.
A missão do setor é manter previsibilidade econômica, inovação tecnológica e articulação política para sustentar o protagonismo do milho e do sorgo no agro moderno brasileiro.
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