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Banco ligado à Universal cedeu carteira de financiamentos com carro roubado

Digimais transfere carteira de financiamentos veiculares a fundo de investimento de Tiago Gouvêa, com altas perdas, disputas judiciais e dúvidas contábeis

O Corsa comprado por Rodrigo Menezes Martins: veículo financiado pelo Digimais está parado há dois anos na garagem esperando decisão da Justiça
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  • Banco Digimais, ligado à Igreja Universal, vendeu uma carteira de financiamentos veiculares por R$ 255 milhões à Hatikvah Participações, em 30 de dezembro de 2025.
  • Em troca, o banco passou a ter participação majoritária no Fundo de Investimentos em Participações Hatikvah (atual ~97%), que investe em duas incorporadoras ligadas a Tiago Gouvêa, com aportes declarados de cerca de R$ 711 milhões.
  • A carteira incluía contratos com veículos, incluindo casos de carros com problemas ou roubados; houve rescisões judiciais de contratos e cobrança mantida pelo banco.
  • O Digimais não pagou cerca de R$ 30 milhões prometidos ao comprador; a empresa que herdou as ações judiciais hoje processa devedores para recuperação de créditos.
  • O interesse de venda a o BTG Pactual esteve em jogo, e auditorias de fundos de investimentos ainda não apresentam demonstrações completas; o Digimais informou lucro de R$ 31 milhões em 2025.

Em meio a uma série de operações de ativos considerados de maior risco, o banco Digimais, ligado à Igreja Universal, repassou uma carteira de financiamentos veiculares que incluía contratos rescindidos por motivos de roubo de veículo. O negócio envolveu a empresa de um pastor e contou com participação de fundos de investimentos, com promessa de aporte de recursos que não teriam sido realizados pelo banco.

A negociação envolveu a empresa Hatikvah Participações, ligada ao empresário Tiago Gouvêa, que atua no mercado financeiro e também como pastor. A carteira foi comprada por 255 milhões de reais, em 30 de dezembro de 2025, em troca de participação inicial de 35% do FIP Hatikvah, hoje com gestão direta do banco. O fundo investe em duas incorporadoras comandadas por Gouvêa.

Segundo o acordo, o Digimais manteria parte de recursos no negócio, estimados em 30 milhões de reais. Entretanto, o banco não teria cumprido esse desembolso, enquanto a operação seguia com o objetivo de financiar imóveis por meio de crédito consignado. Em meio a esse cenário, o grupo tenta ampliar atuação em consignados para servidores públicos, enquanto o processo judicial envolvendo os contratos permanece em faseções de cobrança.

Estrutura da operação e impactos contábeis

A transação transferiu a gestão de contratos de financiamento veicular para a Hatikvah, que passou a cobrar devedores e a pleitear acordos na Justiça. O Digimais, por sua vez, mantém participação acionária no fundo, que ainda não teve demonstrações financeiras auditadas disponíveis na CVM. A auditoria aponta grandes dificuldades na análise de pelo menos 3 bilhões de investimentos relacionados a fundos de investimento do banco.

Entre os casos envolvendo inadimplência, destaca-se a situação de Rodrigo Menezes Martins, de São Paulo, que recebeu indenização de 5 mil reais por dano moral após comprar um Corsa de 2013 que ficou inacessível. O veículo apresentava indícios de uso indevido, com rastreador oculto, e a Justiça suspendeu cobranças, embora o banco tenha mantido a cobrança.

Outro caso envolve Rafael Cascardi, de São Bernardo do Campo, que adquiriu um Celta de 2014 e teve o carro apreendido pela polícia por uso de veículo roubado. A Justiça também reconheceu a rescisão do contrato, mas o Digimais não reaparece nos autos, tendo a Hatikvah assumido a defesa e a cobrança junto aos devedores.

Ao anunciar o negócio, Gouvêa afirmou que recebeu a carteira de consignados como parte do pagamento do banco, e que o Digimais deveria investir cerca de 30 milhões de reais no empreendimento. O empresário informou que interrompeu a operação de consignados diante de um possível acordo de venda do Digimais ao BTG Pactual, mas mantém a carteira sob gestão, ainda com alto nível de inadimplência, segundo ele.

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